A livre circulação de agentes culturais na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), fundamental para o crescimento e valorização de tanto potencial criativo que continua “ virgem” e à procura de ser descoberto, depende muito do sarar de feridas profundas da era colonial.

270 milhões de pessoas é o numero estimado daqueles que falam língua portuguesa. É impossível termos uma comunidade Lusófona e honrarmos os princípios da CPLP, enquanto não forem resolvidas as questões básicas de visto único que permita a livre circulação entre estados membros dos seus agentes culturais.

É fundamental a criação de um passaporte cultural de livre circulação, se não podemos circular, então somos uma comunidade de quê? Sim, somos uma comunidade que fala a mesma língua, mas acima de tudo temos de ser uma comunidade de união de culturas, de intercâmbio de agentes culturais e de valorização de todos estes activos. Temos de recusar sermos apenas um número e conquistar de uma vez por todas as condições para que possamos honrar o titulo de comunidade.

Não podemos esquecer que a circulação de pessoas no espaço da CPLP, pelos mais diversos motivos, seja na procura de emprego, turismo, negócios ou estudos, é um factor de desenvolvimento económico dos Estados membros e fundamental para o crescimento económico e acima de tudo da aculturação de todos.

Em Portugal e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) ainda não foram esquecidos os “traumas e complexos” coloniais, de forma justa é certo, mas que sem o devido dialogo têm contribuído para o crescimento de “fobias” diversas por parte de alguns dos principais visados que caminham para sua 3 geração e que cada vez mais vão gerando cautelas na luta pelos direitos desta comunidade.

É de lamentar que a CPLP, fundada em Julho de 1996, ainda não tenha conseguido assegurar a livre circulação de intelectuais, professores, agentes e bens culturais entre os seus países membros. Somos uma comunidade, mas desconhecemos a maioria dos seus activos culturais dos países membros, esse capital que podia ser determinante e absolutamente valioso para a nossa dimensão global.

A recente visita do nosso Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa a São Tomé e Principe e o enorme serviço prestado ao assumir a responsabilidade de forma pública em nome de Portugal, pelo massacre de Batepá, tendo sendo inclusive a primeira vez, que um Presidente da República visitou este local, onde pelo menos 400 pessoas morreram às mãos de um governador português em São Tomé, há 65 anos atrás, foi um momento simbólico mas marcante, que pode ter passado “ao lado” da maioria, mas pode vir a ser um primeiro passo, fundamental e absolutamente necessário para contribuir pontes em vez de barreiras.

“Portugal assume a sua história naquilo que tem de bom e de mau, e assume nomeadamente, neste instante e neste memorial, aquilo que foi o sacrifício da vida e o desrespeito da dignidade de pessoas e comunidades”, disse. “Assume essa responsabilidade olhando para o passado, mas ao mesmo tempo para o presente e o futuro”. O Presidente da República de Portugal . Marcelo Rebelo de Sousa

São palavras, mas sobretudo momentos de elevada dignidade como estes que me fazem ter orgulho no nosso Presidente e ter orgulho em ser Português, devolvendo-nos a confiança que vem sendo ceifada por tantos casos de corrupção em Portugal e nos devolvem a força para lutar por causas tão nobres como a da CPLP.