A notícia ‘Negócio da biomassa não desperta interesse’, publicada na edição impressa deste domingo do nosso matutino, referia-se ao término do contrato de aquisição de biomassa florestal para a instalação de incineração da Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos na Meia Serra e eventuais moldes do novo concurso que o Governo prevê lançar “dentro de três meses”.
A propósito do tema, o professor e investigador da Universidade da Madeira Hélder Spínola estranha que o executivo regional deixe cidadãos e autarquia ‘de fora’ do negócio da biomassa.
“Compreendo que o Governo Regional pague 19 euros à tonelada para o fornecimento de biomassa florestal à Meia Serra por parte de uma única empresa privada, seleccionada por concurso público, como forma de aproveitar as potencialidades de produção de energia eléctrica renovável da central de incineração. Não percebo porque nada paga a um cidadão, ou a uma autarquia, que forneça o mesmo material”, refere.
Desde logo, para Hélder Spínola, não existem quaisquer incentivos positivos neste sentido junto das populações regionais: “Com os incêndios cada vez mais próximos das zonas residenciais, devido ao abandono dos terrenos que as envolvem e intermedeiam, não há hoje um único incentivo positivo para promover a remoção do excesso de biomassa nesses locais”.
A seu ver, o pagamento aos cidadãos e autarquias pelo fornecimento de biomassa florestal à central de incineração da Meia Serra funcionaria como “um forte incentivo à tão necessária limpeza dos terrenos para a prevenção de incêndios”.

