
Nos últimos anos temos vindo a ser bombardeados pelos meios de comunicação social com uma estatística da Eurostat que revelou os níveis de disparidade salarial entre homens e mulheres na Europa e que no caso de Portugal se situou em 2016 nos 17,5%. Este estudo, tem sido veiculado de uma forma errada e quem sabe mal-intencionada, uma vez que se utilizam este tipo de dados para deixar passar a ideia que estas diferenças salariais são o resultado de uma discriminação contra as mulheres. Seria mais esclarecedor e construtivo, compararem esta estatística com outras, como o número de horas trabalhadas por homens e mulheres, tendo em conta as baixas e as licenças gozadas por ambos os géneros. Estas simples adições na equação, faria seguramente grande diferença nas interpretações que resultam de uma leitura simplista deste dado estatístico.
Mas antes de comparar esta estatística com outros números, proponho um exercício de senso comum. Se compararmos dois funcionários públicos, com a mesma categoria, o mesmo nível de escolaridade e o mesmo número de anos de trabalho, podemos afirmar com toda a segurança que os seus vencimentos são iguais. Num Hotel, para dar outro exemplo, ou noutra empresa sujeita a uma convenção ou contrato coletivo de trabalho, também podemos afirmar com grande segurança, que duas pessoas com a mesma categoria, nível de escolaridade e antiguidade, têm vencimentos iguais. Só aqui está seguramente incluída quase a totalidade da população empregada.
Mas os números não mentem, e de facto, em 2016 enquanto um homem ganhava 1 euro, uma mulher ganhava 83 cêntimos. Mas se na prática os salários são iguais para duas pessoas com as mesmas características profissionais, como é que se justifica esta diferença de 17,5 cêntimos? A resposta é fácil. Os homens ganham mais 17,5% porque trabalham mais horas. Esta estatística tomou por base no número de horas de trabalho estabelecido na lei para cada pessoa empregada, mas esqueceu-se de contar com as horas extra, com os horários reduzidos e com os contratos de trabalho a tempo parcial.
Um estudo de uma empresa líder no sector dos Recursos Humanos em Portugal e com presença internacional, publicou um estudo sobre o trabalho em Portugal, que mostra que a maioria dos 51% dos portugueses trabalham mais do que 40 horas por semana são homens. Esta diferença é justificada no estudo pela forma como os homens e as mulheres fazem as suas escolhas e priorizam as diferentes vertentes da sua vida. As mulheres, por exemplo, admitem que menos trabalho é sinónimo de menos stress e mais tempo para dedicar aos filhos e à família, pelo que será muito mais difícil para elas, trocar este seu tempo por mais horas de trabalho, mesmo que isso implique um aumento real na remuneração. As estatísticas oficiais de 2016 corroboram este estudo, mostrando que, de uma forma transversal em todos os sectores de atividade, os homens trabalharam em média mais de 4 horas por semana do que as mulheres. Isto deve-se entre outras coisas, ao facto de serem as mulheres as que tradicionalmente gozam, e bem, mais tempo nas licenças parentalidade. É então normal que se verifiquem diferenças nos vencimentos entre os géneros, não significando isto que uma mulher ganha menos do que um homem para fazer o mesmo trabalho, mas que ela ganha menos porque afasta-se do trabalho com mais frequência do que o homem e isso tem uma consequência normal na remuneração e na carreira.
Se olharmos aos sectores de atividade, também encontraremos outra parte da razão pela qual se verificam estas diferenças. Voltando ao exercício de senso comum, facilmente vemos que há sectores de atividade em que verificamos uma maior presença feminina, e outros em que a maioria é masculina. Isto nada tem a ver com descriminação pois faz parte das preferências e das escolhas que naturalmente os homens e as mulheres vão fazendo ao longo da sua vida. Se olharmos, por exemplo para as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), onde a procura por profissionais destas áreas é grande e onde os rendimentos também são superiores à média, podemos verificar que 80% dos alunos que terminam estas licenciaturas em Portugal são homens. As mulheres normalmente escolhem sectores como a saúde o ensino, onde as carreiras são normalmente menos dinâmicas. Um Parecer do Comité Económico e Social da União Europeia conclui justamente que uma das causas das diferenças salariais entre homens e mulheres, reside no tipo de emprego, sector de atividade, tipo de carreira e composição do salário onde se encontra uma grande percentagem das mulheres.
As diferenças realmente existem, mas são por causas justificadas e que nada têm a ver com descriminação como nos querem vender desde o ponto de vista de um feminismo pop. As variações na disparidade salarial devem-se sim ao número de horas trabalhadas e ao sector de atividade e tipo de carreira com maior prevalência feminina, pois um homem e uma mulher com a mesma categoria, no mesmo sector de atividade e com percursos laborais idênticos e que trabalhem o mesmo número de horas, têm seguramente o mesmo salário.