Entendo a política como um exercício de cidadania. Um nobre exercício de cidadania. A política não é um jogo. Não é apenas retórica. Não é uma profissão e por isso impressionam-me, devo confessar, os políticos sem profissão, sem uma “arte”, como diriam os mais velhos. Encaro a política como uma atividade à qual me dedicarei durante uma fase da minha vida, com toda a energia que tiver e com dois objetivos centrais: contribuir para ver implementadas algumas das ideias e valores nos quais acredito convictamente; agir para resolver, ou minorar, os problemas dos cidadãos e da comunidade na qual estou inserido e onde centro a minha ação. Desde que, há 4 meses, assumi a liderança do CDS Madeira, tenho procurado colocar em prática esta minha visão da política e que sintetizo em três palavras: “Política com Utilidade”. Os resultados - penso que esta é uma constatação unânime – têm sido muito positivos. Sintetizando, à laia de um primeiro balanço: através do diálogo e da negociação com quem lidera a Câmara Municipal do Funchal conseguimos fazer passar algumas daquelas que eram as bandeiras eleitorais do CDS, tais como a extensão dos apoios às famílias com crianças inscritas nas creches privadas. Impedimos um aumento de 200% na Derrama; conseguimos fazer aprovar um conjunto de melhoramentos na rede viária das zonas altas da cidade do Funchal; conseguimos desbloquear a legalização de dezenas de habitações familiares em diversas freguesias da parte alta da cidade. Disseram, na altura, que “tínhamos um acordo com o Cafofo”. Muito se engana quem assim pensa. Nós somos uma alternativa e queremos vencer as eleições. Ponto final. Também através do diálogo e da negociação, desta vez com o Governo Regional, conseguimos fazer aprovar uma proposta que baixa significativamente o preço dos passes sociais, em toda a ilha. Conseguimos fazer com que o Executivo incluísse no Orçamento a baixa do IRC – embora acreditemos que a descida poderia ter sido mais ambiciosa – e, até ao final do processo orçamental, vamos continuar a negociar para que sejam implementadas ideias nossas, como sejam a descida substancial do IRC nos concelhos da costa norte e Porto Santo, objetivando atrair empresas, criar empregos e suster a perda populacional: a priorização dos produtos agrícolas regionais no processo de contratação pública. Dirão, certamente, que “temos um acordo com o Miguel”. Muito se engana quem assim pensar. Nós somos uma alternativa e queremos vencer as eleições, tendo um ano para mostrar o nosso trabalho e o nosso trabalho deve ser medido por ações, particularmente por aquelas que resultam em melhorias concretas nas condições de vida dos cidadãos. Simplesmente, não negamos a negociação. Pelo contrário. Ela deve ser permanente, porque num modelo de estado democrático a radicalização (nunca) é o caminho mais curto entre dois pontos.
Nota: ontem tivemos mais uma boa notícia: a proposta do CDS Madeira, defendida pelo grupo parlamentar do partido na Assembleia da República, que previa uma descida significativa na taxa de juro paga pela Madeira à República e o fim do spread, foi aprovada, curiosamente (ou talvez não), com os votos contra do...PS. A Região poupará muitos milhões de euros e corrige-se uma injustiça à qual o CDS Madeira sempre se opôs com coragem, tendo eu votado contra dois Orçamentos de Estado apresentados por uma coligação onde se inclua o meu partido; tendo o José Manuel Rodrigues votado contra o PAEF.