Maria da Luz Brazão defendeu a necessidade de adequar no prazo de uma a duas décadas o número de internistas à nova realidade da saúde, uma vez que a Medicina Interna tem-se vindo a afirmar como “a grande gestora e centralizadora dos cuidados a prestar ao doente”, uma opção que não significa um aumento de custos, na perspectiva da directora do Serviço de Medicina Interna do SESARAM, e até pode ser acompanhada de uma redução e melhoria qualitativa e quantitativa dos cuidados prestados, disse na cerimónia de abertura das IV Jornadas de Medicina Interna e das VI Jornadas de Infecciologia que decorrem até amanhã no Pestana Casino Park Hotel. Este trabalho, defendeu, seria desenvolvido em parceria com a medicina geral e familiar, em integração com as equipas de hospitalização domiciliária e com centros de saúde, “estrategicamente escolhidos e adequadamente apetrechados com RX, análises, e com melhoria na eficácia e eficiência dos actuais contactos online com as estruturas hospitalares”.

O acréscimo de médicos desta especialidade é justificado por Maria da Luz Brazão com a necessidade de garantir a qualidade e continuidade dos cuidados aos doentes complexos que recorrem ao Serviço de Urgência; o internamento hospitalar; de responder à Unidade Polivalente de Medicina Interna, já projectada e orçamentada e que inclui uma unidade de diagnóstico rápido, uma de internamento curto e um hospital de dia; de gestão e governação clínica da hospitalização domiciliária; de ter um internista nos centros de saúde seleccionados; e para assegurar a nova orgânica da consulta externa geral e diferenciada.

Na intervenção, a médica alertou ainda: “Muito mais difícil do que construir e dimensionar um novo hospital é sem dúvida manter, dignificar as condições e trabalho e melhorar a qualidade das estruturas do actual Hospital Central do Funchal até ao surgir do novo hospital”, desafiando a uma programação dos cuidados de saúde a dez ou 15 anos com o emprenho e a participação de todos, incluindo as forças políticas.