Aproveito a oportunidade, que me é concedida por este matutino, para fazer chegar a vexa algumas preocupações e graves carências que nos afligem, em termos de saúde, enquanto residentes em Porto Santo.

É do conhecimento geral, e não é segredo para ninguém, que nós, porto -santenses, não temos facilidade no acesso à medicina privada, por múltipla ordem de razões, entre as quais, se não a mais importante, a inexistência de meios de transporte eficientes para que nos possamos deslocar, em tempo útil, sempre que tivermos necessidade de consultas da especialidade, só existentes na Madeira ou no Continente.

Isto, por si só, seria suficiente para que se criassem as condições indispensáveis no Porto Santo, de modo a que TODOS nós acedêssemos sem constrangimentos aos cuidados de saúde, como qualquer cidadão português.

Dir-me-á vexa que temos um Centro de Saúde(?) com várias valências, onde há consultas de algumas especialidades. Que temos um número suficiente de médicos residentes. Que temos um avião para evacuações em situação de urgência. Que até estaremos melhor do que muitas outras localidades...

Então, diga-me por quê?

Por que não conseguimos marcar uma consulta com o nosso médico de família, cuja agenda está sempre lotada?

Invariavelmente, a resposta que recebemos é:venha tentar.

Por que é tão difícil conseguir uma consulta da especialidade, seja ela qual for, e o nosso nome vai engrossar a lista de espera, indefinidamente?

Por que se sente que há” rivalidade “entre os médicos do Centro de Saúde?

Por que se “consulta “o doente sem perder de vista o tlm pessoal?

Por que se nega ao utente uma requisição de um meio auxiliar de diagnóstico?

Por que se trata o doente com frieza, indiferença e até má educação?

As consultas de especialidade são só para preencher calendário?

Exmo. sr. Secretário, como responsável máximo pela Saúde na região, certamente, não ficará indiferente a tantas interrogações que são reflexo de muita angústia, de sofrimento e de revolta, também.

Algo está a falhar. E muito.

Quem sabe uma visita em data não anunciada, não será um começo de mudança. Ou talvez não.

Há muita gente com vontade de “gritar”. Mas o seu “grito” é abafado pelo medo da represália, na primeira oportunidade.

E, aqui, aqui, não há alternativa ao Centro de Saúde.