Os familiares dos tripulantes de um veleiro detidos em Cabo Verde e acusados de tráfico de droga reafirmaram hoje, no Mindelo, que os três cidadãos brasileiros desconheciam a existência da droga e foram vítimas de uma armadilha.

Um cidadão francês e três brasileiros encontram-se detidos, desde agosto, na Cadeia Central da Ribeirinha, na ilha cabo-verdiana de São Vicente, no âmbito da Operação Zorro, que resultou na apreensão de 1.157 quilos de cocaína num veleiro atracado no porto da cidade.

Os familiares dos cidadãos brasileiros deram hoje uma conferência de imprensa, no Mindelo, onde insistiram na inocência de Daniel Guerra, Daniel Dantas e Rodrigo Dantas.

Na conferência de imprensa, estiveram os pais de Daniel Guerra, a irmã de Daniel Dantas e a mãe de Rodrigo Dantas, acompanhados do cônsul do Brasil em São Vicente, segundo noticia a agência cabo-verdiana de notícias Inforpress.

Barbara Dantas, irmã de Daniel Dantas, sustentou que os três brasileiros, são “pessoas inocentes” que cumpriam o sonho atravessar o Atlântico e que estavam a acumular milhas náuticas para fazer carreira na marinha brasileira.

Para esta familiar, o “verdadeiro culpado” é o dono do iate, um inglês conhecido por Fox, que terá levado o veleiro da Europa para o Brasil.

“Em algum momento, teria percebido que estava a ser vigiado, retirou-se do navio junto com tripulação da última viagem e colocou a tripulação brasileira e o comandante francês contratado no Brasil”, disse.

Barbara Dantas explicou ainda que os três tripulantes foram contratados através de um portal da Internet que presta serviços no setor da navegação.

“Não foram pagos para fazer a travessia, a combinação era a garantia de alimentação durante a viagem e passagens áreas de volta para o Brasil”, contou.

A Polícia Federal brasileira realizou uma busca ao navio e não terá encontrado nada, o que, segundo Barbara Dantas, deu “maior segurança” aos três tripulantes de seguirem viagem.

O pai de Daniel Guerra, Télio Guerra, disse acreditar que o filho é inocente e que desconhecia a existência da droga escondida na embarcação.

Os pais de Daniel Guerra chegaram a São Vicente no dia 14 de dezembro e asseguram que só saem de Cabo Verde quando puderem levar o único filho, que acreditam ter sido “vítima de uma armadilha”.

O advogado dos tripulantes, João do Rosário, considerou que a defesa tem condições de “deitar abaixo toda a acusação de tráfico de estupefaciente e de associação criminosa”, que recai sobre os três arguidos.

“Temos provas e contraprovas que permitem, sem margem para dúvida, confirmar tudo o que foi dito pelos familiares”, assegurou.

Durante o mês de agosto de 2017, o Ministério Público cabo-verdiano recolheu indícios fortes de que um veleiro proveniente de São Salvador da Baía, Brasil, com destino à ilha da Madeira, Portugal, e passagem pelas águas territoriais de Cabo Verde, transportava droga.

O veleiro chegou à Marina do Mindelo, em São Vicente, com uma tripulação composta por quatro homens com idades entre 25 e 49 anos, todos de nacionalidade estrangeira (um francês e três brasileiros). Dois dos tripulantes permaneceram na embarcação e dois hospedaram-se numa pensão.

Foram apreendidos 1.157 quilos de cocaína numa busca ao veleiro, além de haxixe e canábis no quarto da pensão onde estavam hospedados dois arguidos.

Os quatro homens foram detidos, tendo o juiz decretado prisão preventiva para os dois que se encontravam no veleiro e termos de identidade e residência para os que estavam hospedados na pensão.

O MP recorreu para o Tribunal da Relação, que posteriormente determinou prisão preventiva para os dois arguidos que estavam na pensão.

Poucos dias após a detenção, familiares colocaram a circular um abaixo-assinado na Internet a pedir a libertação dos três brasileiros.

Os 1.157 quilos de cocaína, que foram queimados uma semana depois da apreensão, constituíram a maior quantidade de droga apreendida na ilha de São Vicente, depois dos 521 quilos no caso “Perla Negra”, em novembro de 2014, numas das praias da ilha.

Foi também a segunda maior quantidade alguma vez apreendida em Cabo Verde, após a Operação Lancha Voadora, que, em 2011, culminou com a apreensão de uma tonelada e meia de cocaína em estado de elevada pureza escondida na cave de um prédio na cidade da Praia.