“Perdemos tudo. Todas as pessoas que tinham lá os seus pertences perderam tudo. Perderam-se vidas, muitas vidas, principalmente nos andares superiores”. Estas são palavras de Francisco Ramos, de 20 anos, é o madeirense que residia na Grenfel Tower, em Londres, que esta madrugada foi atingida por um incêndio de largas proporções. O músico, organista a estudar na Royal Academy of Music, trabalha também num hotel para ajudar a pagar os custos da permanência na cidade e encontrava-se fora quando o fogo começou.

Apesar de não estar em casa, o jovem funchalense perdeu tudo o que tinha e que se encontrava no quarto do 13.º andar da casa partilhada. Foi o colega de quarto que o alertou por telefone para o fogo e quando lá chegou já só pode ficar a assistir, impotente, às chamas que destruíram por completo o prédio.

“As pessoas do meu andar acho que tiveram alguma sorte, conseguiram escaparam ilesas. Porém, as dos andares superiores morreram certamente”, acredita o madeirense, embora para já não haja números de mortos.

Francisco ficou literalmente sem nada. “Passei por lá para ver as condições do edifício e estava uma lástima. A minha casa estava a arder. Só podia ver a arder e não podia fazer nada”.

Consciente da gravidade da situação, relativiza. É apenas um edifício. Eu vejo desta forma. É apenas um edifício, é apenas uma casa, é apenas um lar que perdi. Pedi, é verdade, perdi muitas coisas que eu poupei (...). Porém não é isso que conta, nada. Não se pode desanimar. É uma tragédia, sim. O principal são as vidas que se perderam porque os bens materiais são recuperáveis.”

Francisco Ramos vai contar com os amigos que tem em Londres, nomeadamente para lhe arranjarem um lugar para pernoitar. Além disso, diz, a comunidade portuguesa é coesa e a solidariedade inimaginável.

Não tem a certeza se no prédio viviam quatro ou cinco famílias, mas sabe que uma delas vivia bem acima. “Eles vivam no 20.º andar, não sei se se safaram. As informações que eu tenho é que as filhas estão em coma, ou qualquer coisa assim”.

Francisco Ramos está em Londres há oito meses, é natural de São Martinho.