Londres acordou em sobressalto. O fogo que deflagrou na torre Grenfell, um edifício de 24 andares próximo de Notting Hill, já provocou 12 mortes e dezenas de feridos. Na cidade inglesa, há mesmo quem garanta que nunca assistiu a um incêndio tão dramático como o que começou na madrugada desta terça-feira: “sem precedentes”, afirmou a comissária dos bombeiros de Londres, há 29 anos ao serviço da cidade britânica.

E a tragédia faz soar os alarmes em vários cantos do mundo. Na Madeira, chegam as recordações do drama do verão passado, quando várias frentes de fogo se propagaram pela ilha e consumiram zonas habitacionais e próximas ao centro histórico da capital madeirense. Aprendemos com os erros do passado? Estamos mais preparados para eventuais desastres semelhantes?

O “sim” imperativo chega-nos do chefe José Minas, dos Bombeiros Municipais do Funchal. A resposta animadora tem uma explicação simples: “Aprendemos, claro. Os edifícios e as casas já não foram reconstruídos em zonas de risco e as famílias foram realojadas noutros locais”. José Minas refere-se, por exemplo, a habitações destruídas no Caminho das Voltas, dos Saltos, ou na zona sobranceira à Ribeira de João Gomes, na Pena.

Mas não só. De acordo com o chefe Minas, “há um trabalho de sensibilização cada vez maior”. Actualmente, existe até uma Unidade Local da Protecção Civil a dar formações em diferente zonas da ilha. Nos próximos tempos, a intervenção está a ser feita no Curral dos Romeiros e no Sítio da Alegria: “Não no sentido de combater o fogo, mas em termos de prevenção”, explica.

A formação é dirigida a voluntários e qualquer local pode participar: “Se durante um incêndio caírem duas árvores que impeçam a circulação de uma estrada, por exemplo, e um voluntário souber usar uma motosserra, o problema pode ser resolvido mais rapidamente”. E pode, até, salvar vidas.

Além disso, esta unidade de formação – que depois destas zonas segue para as Corujeiras e para as Babosas – também ensina a fazer queimadas controladas ou a utilizar devidamente os extintores, entre outras acções. No próximo Sábado haverá ainda uma formação em São Roque, na zona do Encontro, sobre a utilização destes mesmos extintores: “É entre as 10 e as 12 horas, e enquanto houver ‘stock’ vamos estar a ensinar”.

Mas, para além deste trabalho interventivo de prevenção, conseguiria a Madeira combater um drama como o de Londres, se acontecesse hoje? José Minas é incisivo: “Nenhum lugar do mundo está preparado para um incêndio destes”. Mas se nos referirmos à segurança dos edifícios contra incêndios, a Madeira, assim como o resto do país, está um passo à frente de Londres, sobretudo devido à nossa legislação: “É boa, muito melhor do que a inglesa. As novas construções cumprem o que de melhor há e, na generalidade, os restantes edifícios cumprem a legislação. Só que não sabemos, claro, que barris de pólvora podem existir pela cidade”.

Um edifício com 50 anos