O papa Francisco despediu-se hoje de Fátima ao som da Orquestra Clássica da localidade, que entoou o hino do Vaticano num palco na rotunda Norte, onde centenas de pessoas aplaudiram e gritaram por “Chico”.

“Chico, Chico, olha aqui!”, gritou um homem à passagem do líder da Igreja Católica, que acenava, momentos antes deste sair do papamóvel para entrar no carro de modelo utilitário que o levou à Base Aérea de Monte Real.

Antes de seguir de automóvel, Francisco escutou o hino do Vaticano interpretado pela Orquestra Clássica de Fátima, que viu o papa inclinar-se ligeiramente em agradecimento quando os músicos se levantaram.

“O maestro André Lousada fez uma adaptação para orquestra clássica do Hino do Vaticano, que não existia. Foi simultaneamente uma estreia e uma oferta ao santo padre”, contou à Lusa Alexandre Rodrigues, coordenador da orquestra composta por 43 músicos de todo o país, que está sediada em Fátima.

É esta a orquestra que Fernanda e Laurentino Vieira dizem que estará brevemente em Plessis Trevise, uma cidade geminada com Ourém, nos arredores de Paris, de onde vieram de propósito para o Centenário das Aparições.

“A minha avó viu em 1917 aquele sol iluminado, iluminado. Ela morreu aos 105 anos, eu tinha de vir para o centenário”, contou Fernanda à Lusa, natural de Ourém, a viver em França há 25 anos.

O casal é um entusiasta da promoção de Fátima e do concelho de Ourém em França, onde planeiam um evento cultural e gastronómico sobre a região, no qual estarão também representantes de uma localidade polaca e outra alemã, igualmente geminadas com Plessis Trevise.

Francisco é o primeiro papa que Fernanda vê: “Ainda bem. Ele é especial, é mais pelas pessoas, é diferente”.

Quase duas horas antes da passagem de Francisco, Maria da Conceição, 70 anos, já marcava lugar com o marido e as duas filhas junto a um dos gradeamentos da rotunda, na esquina por onde o papa veio a passar.

Maria da Conceição já viu três papas, o preferido é João Paulo II, de Francisco gosta muito e, sobretudo, espera que faça “as mudanças que é preciso na Igreja”.

“Há muita corrupção nas igrejas, principalmente nos lugares pequenos”, aponta a peregrina que há 24 anos vem, todos os anos, a pé de Castro de Aire.

Dessa experiência lamenta a falta de apoio da Igreja: “É tudo muito bonito aqui, mas não temos apoio nenhum, nem uma garrafa de água. Até Coimbra só a Ordem de Malta é que nos ajuda. Somos muito explorados, chegam a pedir-nos 3,5 euros por uma sandes de fiambre”.

Na espera por Francisco, Maria da Conceição vai dando atenção aos carros oficiais que passam e neles avista, agitando-se entusiasmada, Marcelo Rebelo de Sousa de quem diz: “É um bom Presidente que a gente tem”.

Alguns minutos depois, acena também a outro carro e informa que “era o primeiro-ministro”, mas sobre António Costa não diz de imediato nada, desafiada pela Lusa acaba por desejar que “meta ordem nisto”.