Quinta-feira passada, no Parlamento regional, um destacado deputado da Oposição recorreu ao humor para disfarçar a falta de reacção: “O senhor presidente do governo disse que os portos e o ‘ferry’ ficavam para o final do mandato. V. Exa. vai deixar o mandato a meio e candidatar-se à Câmara do Funchal?”

O deputado Jaime Leandro não foi o único a queixar-se, assim, da velocidade do Governo Regional. É que Miguel Albuquerque tinha acabado de anunciar a segunda de três medidas estruturais: o pedido de autorização a Bruxelas para a abertura de um concurso para um ‘ferry’ entre o Continente e a Madeira, devidamente subsidiada.

Antes, ficara-se a conhecer a determinação de Albuquerque em revogar uma antiga decisão de Jardim, retirando a licença à OPM, do Grupo Sousa, pondo fim ao licenciamento nos portos, que será substituído por um contrato de concessão após concurso público internacional. Que bem pode voltar a ser ganho pelo mesmo operador, mas com a vantagem de passar a obedecer a outras regras que melhor acautelem o interesse público e o dos consumidores que tudo têm pago sem pestanejar.

No dia seguinte, em Conselho de Governo, caía mais um pesado dossier: a confirmação da alienação do JM, que assim deixa de estar na dependência do Governo Regional e dos três milhões de euros anuais que serão canalizados para outras necessidades bem mais prementes.

Em apenas três dias da mesma semana, Miguel Albuquerque assumiu pessoalmente o ‘safanão’ em três questões que tantas dores de cabeça havia aportado ao seu Executivo, por força de promessas que teriam de ser devidamente concretizadas.

Surpreendida, a Oposição ficou sem os temas recorrentes para quase todas as reclamações

no faz-de-conta da política.