OCarnaval, nas suas múltiplas vertentes, deve ter inspirado esta inesperada ‘semana da mobilidade’. Quase se pode garantir que não haverá nenhum madeirense interessado em saber da troca de argumentos políticos, entre políticos; interessa, isso sim, resolver o problema que está criado a quem precisa de viajar. Não interessa nem evocar a parte que está (bem) resolvida – os 85 euros que nos custa uma passagem aérea, no final do longo processo.
Andamos a financiar as companhias aéreas ‘instaladas’. Como se isso não bastasse, premiamo-las com um folgado limite de 400 euros, permitindo-lhes ‘brincarem’ com as finanças públicas, aonde vão sugar valores incríveis para viagens de duração inferior a 90 minutos. É aquilo a que alguns especialistas chamam de ‘cartelização’. Neste caso, uma ‘cartelização’ quase a convite.
Tal como ficou dito, não interessa a troca de argumentos políticos, entre políticos. Interessa corrigir. Os madeirenses nem querem saber quem ficará com os méritos de acabar com a parte nebulosa desta mobilidade inquinada. Querem é ter um modelo mais justo, mais célere, menos burocrático.
Ao contribuinte também pouco interessa se a ‘terceira companhia’ é uma associação de caridade ou uma empresa focada só nos lucros. Interessa-nos saber porque é que o governo nunca a quis ouvir sem recurso a intermediários, olhos nos olhos. Se estão garantidos os resultados que interessam aos madeirenses e à Madeira - ter mais passageiros e obrigar os bem comportados da ‘cartelização’ a praticar preços honestos - para quê insistir em puritanismos?
Outro aspecto importante: ninguém sabe a quantas andamos, mas todos têm a certeza que rebentámos bem cedo com o ‘plafond’ dos 11 milhões de euros. Significa que o modelo não é assim tão mau, mas significa também que temos (mais) um calote para pagar. A bem ou a mal.