“Se aumentarmos a capacidade formativa na Madeira tenho a certeza que muitos jovens que cá se formarem, se forem devidamente acarinhados, poderão ficar cá”. Esta ideia do bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, foi apenas uma das muitas propostas avançadas ontem na tomada de posse dos novos órgãos do Conselho Distrital da Madeira.

A sessão que teve lugar na sede do Funchal foi recheada de diagnósticos de problemas da saúde, receitas de tratamento e algumas promessas de ‘cura’. O novo presidente do Conselho Distrital da Ordem dos Médicos, António Pedro Freitas, assumiu que vê com “crescente preocupação o futuro da saúde na Região”, já que o “desinvestimento público de que padece o país foi mais visível e expressivo na Madeira”. É que apesar dos “tão falados certificados de qualidade”, o sistema está “enfermo e incapaz de atender às solicitações” e “são os profissionais que, exaustos, têm levado às costas o sistema, que muito frequentemente se esquece de os agradecer”. O representante chamou à atenção para o “flagelo da saída dos profissionais para o privado e estrangeiro” e para a “enorme incapacidade de fixação de recursos humanos diferenciados” e defendeu incentivos e valorização do mérito de quem aposta na sua formação e especialização.

O bastonário também abordou estas questões: “O Estado Português não está a criar as condições necessárias para que os médicos optem por trabalhar no Serviço Nacional de Saúde. Isto é grave. Se os jovens médicos não entrarem nos quadros, o SNS começa a deteriorar-se e a perder a sua capacidade de inovação. É um desafio que lanço ao secretário da Saúde. Tem que se criar condições concorrenciais”, referiu Miguel Guimarães. Sugeriu, a esse propósito, programas de incentivos para fixação de médicos em zonas periféricas, como acréscimos de férias, benefícios fiscais, formação e apoios financeiros. Em relação a problemas estruturais, avisou que “não só o Hospital Central do Funchal mas também o Hospital dos Marmeleiros têm de ser rapidamente renovados”.

O secretário da Saúde, Pedro Ramos, mostrou-se receptivo a resolver alguns dos problemas identificados pela Ordem. Assim, prometeu “alocar os recursos humanos possíveis às necessidades prementes graças a uma maior oferta de especialidades” e “dotar os serviços de melhores equipamentos”. Mostrou-se sensível à formação de novos médicos, devido à necessidade de renovação geracional dos quadros.