A ‘música pedida’ foi, em tempos, uma das rubricas mais populares de quem ouvia rádio; o ouvinte pedia a canção da sua preferência e a telefonia, mesmo sem os meios de pesquisa e armazenamento que hoje são absolutamente banais, conseguia satisfazer os desejos dos ouvintes que se identificavam, revelavam a quem dedicavam a música, e até pagavam por isso. Hoje é tudo à borla. Mas isso é outra música.

Governar não é por ‘música pedida’. Mas às vezes parece. Um governo astuto e eficaz sabe ouvir – de preferência antes de decidir. Ouvir tudo não significa aceitar tudo, sem reservas. Deveria significar ponderação e consideração; deveria servir para reunir o máximo de contributos para fundamentar a melhor decisão, sendo certo que, para quem tem de decidir, é inevitável secundarizar algumas das ideias e sugestões recebidas.

Governar ao sabor da ‘música pedida’, que já nem é paga mas serve para que alguns ganhem de forma directa ou indirecta, é demasiado arriscado. Também pode ser sinal de incompetência, de impreparação, etc..

Vem isto a propósito dos avanços e recuos na aplicação de taxas pela utilização das nossas serras, na área do Ambiente, ou em torno dos sistemas de recuperação de cirurgias, na Saúde. Só para nos cingirmos aos últimos dias.

Arranjar formas de custear a preservação das nossas serras, sobretudo através daqueles que delas retiram dividendos materiais, parece ser uma faculdade inatacável. Implementar taxas com esse objectivo, como acontece um pouco por todo o mundo, parece ser matéria de governação. O que deve ser feito de forma ponderada, mas determinada.

Mais delicada parece ser a questão das listas de espera para cirurgias, primeiro por não se tratar de matéria em que todos possamos dar palpites. É coisa só para entendidos - estamos de acordo. Resta saber quem lucra com os avanços e com os recuos, porque para isso não é preciso ser especialista.