A principal milícia curda na Síria anunciou hoje o fim da sua luta contra o Estado Islâmico (EI) na província de Deir Ezzor, assegurando ter expulsado os ‘jihadistas” da sua zona de operações.
“As YPG (pelas Unidades de Proteção do Povo Curdo) libertaram a parte leste de Deir Ezzor dos mercenários do EI”, indicou a milícia curda num comunicado.
A província petrolífera de Deir Ezzor, que foi um dos principais bastiões do EI na Síria, sofreu desde o verão duas ofensivas distintas, uma levada a cabo pelas Forças Democráticas da Síria (FDS), dominada pelos curdos apoiados por Washington, e outra pelo exército sírio, apoiado pelos russos.
Inesperadamente, o YPG agradeceu não apenas à coligação internacional liderada por Washington, mas também às “forças russas”.
Uma delegação russa liderada por um general esteve mesmo presente na leitura do comunicado na vila de Deir Ezzor, segundo a agência curda ANHA.
Estes agradecimentos são ainda mais surpreendentes, uma vez que a FDS assegurou que não houve coordenação com o regime de Damasco ou Moscovo.
As YPG, no entanto, argumentaram, na sua declaração, que as forças russas haviam oferecido “suporte aéreo e logístico”, sinalizando “coordenação no terreno”.
A área de operações do FDS, dominada pelas Unidades de Proteção do Povo Curdo, estava localizada a leste do rio Eufrates, que corta a província de Deir Ezzor em dois.
O exército ainda está a lutar contra um punhado de ‘jihadistas’ a oeste do rio.
Por outro lado, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) alertou que ainda restam várias cidades na margem leste e oeste do rio onde o EI está ainda presente.
Com o enfraquecimento do “califado” do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, os curdos -- que foram fundamentais na luta contra a organização terrorista -- encontram-se numa posição de fragilidade.
A Casa Branca anunciou recentemente “ajustamentos” na “ajuda militar dada aos parceiros em solo sírio”.
A Turquia semeou a dúvida, assegurando que recebeu garantias da Casa Branca para impedir a entrega de armas a combatentes curdos.
As YPG são consideradas um grupo “terrorista” por Ancara, que tem uma visão negativa sobre a autonomia obtida por essa minoria étnica no norte da Síria.
Depois de Deir Ezzor, as FDS só estão a lutar com o EI em um punhado de aldeias na vizinha província de Hassake (nordeste).
Em mais de seis anos de conflito, a guerra civil síria já causou mais de 350.000 mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e obrigou milhões a abandonarem as respetivas casas.
