Líderes e altos responsáveis muçulmanos reúnem-se hoje em Istambul, Turquia, numa cimeira extraordinária para discutir as repercussões da decisão dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

O encontro promovido pela Organização para a Cooperação Islâmica (OIC) pretende alcançar uma “posição islâmica unificada”.

A organização que integra 57 estados-membros qualificou a medida do presidente norte-americano, Donald Trump, anunciada na semana passada, como uma “decisão ilegal” e um passo para uma “grave escalada” do clima de tensão no Médio Oriente.

O chefe de estado turco, Recep Tayyip Erdogan, actual presidente rotativo da OIC, tem criticado de forma veemente a decisão de Washington e declarou, na segunda-feira, que os líderes dos países muçulmanos vão transmitir uma “mensagem forte”.

Donald Trump anunciou na passada quarta-feira que os Estados Unidos reconhecem Jerusalém como capital de Israel e que vão transferir a sua embaixada de Telavive para Jerusalém, contrariando a posição da ONU e dos países europeus, árabes e muçulmanos, assim como a linha diplomática seguida por Washington ao longo de décadas.

Os países com representação diplomática em Israel têm as embaixadas em Telavive, em conformidade com o princípio, consagrado em resoluções das Nações Unidas, de que o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinianos.

A questão de Jerusalém é uma das mais complicadas e delicadas do conflito israelo-palestiniano, um dos mais antigos do mundo.

Israel ocupa Jerusalém leste desde 1967 e declarou, em 1980, toda a cidade de Jerusalém como a sua capital indivisa.

Os palestinianos querem fazer de Jerusalém leste a capital de um desejado Estado palestiniano, coexistente em paz com Israel.

Jerusalém é considerada uma cidade santa para cristãos, judeus e muçulmanos.

Desde o anúncio de Trump foram registados confrontos e manifestações na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, mas também protestos em países como a Tunísia, Jordânia, Turquia, Paquistão, Marrocos, Indonésia e Líbano.