O ex-conselheiro de Segurança Nacional norte-americano Michael Flynn, que hoje se declarou culpado de mentir ao FBI sobre contactos com um diplomata russo, admitiu ter procedido mal e estar a cooperar com as autoridades para corrigir o que fez.
Num comunicado divulgado pela agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP), o general na reserva Michael Flynn afirmou que decidiu “assumir total responsabilidade” pelas suas ações, após suportar “muitos meses de falsas acusações de ‘traição’ e outros atos ultrajantes”, que lhe foram “extraordinariamente dolorosos”.
“Após mais de 33 anos de serviço militar ao nosso país, incluindo quase cinco anos em combate longe da minha família, e depois da minha decisão de continuar a servir os Estados Unidos, tem sido extraordinariamente doloroso suportar estes muitos meses de falsas acusações de ‘traição’ e outros atos ultrajantes”, lê-se no texto.
“Essas falsas acusações são contrárias a tudo o que sempre fiz e defendi. Mas reconheço que as ações que admiti hoje em tribunal foram erradas e, com a minha fé em Deus, estou a trabalhar para corrigir o que fiz”, prosseguiu.
Flynn refere-se aos contactos que manteve com o embaixador russo em Washington, Sergey Kislyak, entre janeiro e fevereiro deste ano, durante os 24 dias em que foi conselheiro do Presidente Donald Trump, e cuja ocultação ao vice-presidente, Mike Pence, levaram à sua demissão.
“O facto de me ter declarado culpado e o acordo para cooperar com o Gabinete Especial refletem a decisão que tomei no interesse da minha família e do nosso país. Assumo total responsabilidade pelos meus atos”, conclui.
Pela acusação que agora enfrenta, Michael Flynn poderá ser condenado a cinco anos de prisão.
A investigação desenvolvida pelo procurador especial Robert Mueller prende-se com a alegada interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016 e o possível envolvimento de outros altos funcionários da Administração Trump no caso.
A decisão de Flynn de cooperar com Robert Mueller indica que o general poderá desempenhar um papel no alargamento dos esforços para averiguar o envolvimento de altos funcionários de Trump e talvez do próprio Presidente na interferência da Rússia na campanha presidencial.
Michael Flynn foi investigado em vários casos, incluindo sobre o seu trabalho de ‘lobby’ em nome da Turquia, mas o facto de ser acusado apenas por fazer declarações falsas já indicava que estava a cooperar com a investigação de Mueller em troca de clemência.