O líder dos socialistas espanhóis (PSOE) instou hoje o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, a abrir uma negociação “de forma imediata” com o líder do governo regional catalão e a avançar com um diálogo multipartidário “com ambições e sem exclusões”.

Pedro Sánchez apresentou esta posição dos socialistas espanhóis durante uma reunião com Rajoy no Palácio de la Moncloa (sede do governo espanhol), na qual considerou que “o diálogo é mais necessário do que nunca” depois dos acontecimentos ocorridos no domingo na Catalunha, segundo referiu o PSOE num comunicado.

O encontro entre Rajoy e Sánchez, que se prolongou durante cerca de uma hora e meia, enquadrou-se “na disponibilidade do PSOE para ajudar a resolver a crise institucional na Catalunha”, indicou a mesma nota informativa dos socialistas espanhóis.

Na reunião, Sánchez instou o chefe do executivo espanhol “a restabelecer o contacto e a abrir uma negociação de forma imediata” com o presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, para começar “um diálogo que hoje é mais necessário do que nunca”, referiu o comunicado de quatro parágrafos.

Este encontro teve lugar depois de Mariano Rajoy ter anunciado, no domingo à noite, a sua intenção de realizar uma série de contactos com os partidos com representação parlamentar para abordar a questão catalã.

Na mesma nota informativa, o líder socialista indicou que Rajoy tem de abrir esta ronda de contactos aos Unidos Podemos e ao resto das forças parlamentares para realizar “um diálogo com ambição e sem exclusões, abrindo-o a todas as formações e a enfrenta-lo com uma perspetiva que supere a dialética dos blocos”.

O governo regional catalão (Generalitat) anunciou na madrugada de segunda-feira que 90% dos catalães votaram a favor da independência no referendo realizado no domingo naquela região autónoma espanhola, tendo exercido o direito de voto 42% dos 5,3 milhões de eleitores.

A consulta popular foi agendada pela Generalitat, dominada pelos separatistas, tendo o Estado espanhol, nomeadamente o Tribunal Constitucional, declarado que a consulta era ilegal.

Durante a reunião com Rajoy, o secretário-geral do PSOE manifestou a sua condenação à carga policial que tentou impedir a realização da consulta popular de domingo e que “deixou um balanço de centenas de feridos”.

Os confrontos provocaram -- segundo a Generalitat -- mais de 890 feridos.