Os quatro candidatos ao Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) pretendem que a entidade seja “mais efetiva” na sua comunicação com a opinião pública, segundo as declarações hoje prestadas no parlamento.
Fátima Resende Lima, que foi a primeira a ser ouvida na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto (CCCJD), considerou que a ERC deve ter “mais atenção à comunicação externa”, realçando a necessidade de a entidade ser “mais efetiva na sua comunicação com a opinião pública”.
Uma opinião partilhada por Francisco Azevedo e Silva que, além de defender a importância de o trabalho da ERC ter maior visibilidade, apontou para a necessidade de estreitar a ligação da entidade com a CCCJD, uma questão em que também houve concordância entre os diferentes candidatos e os deputados que integram esta comissão.
“O trabalho que poderemos desenvolver será tanto mais positivo quanto maior for a ligação com esta comissão da Assembleia da República”, sublinhou.
Também João Pedro Figueiredo apontou para a necessidade de “melhorar a relação da ERC com o exterior”, através de uma “alteração da sua política de comunicação”, que permita que a opinião pública conheça o trabalho que é desenvolvido pelo regulador dos media.
Já Mário Mesquita afirmou que, na sua opinião, é preciso que a ERC tenha capacidade de ter uma “imagem forte, mas que não desperte hostilidade” junto dos órgãos de comunicação social (OCS), admitindo que se trata de uma “equação difícil”.
De resto, entre as várias questões abordadas nas quatro audições que hoje decorreram, sobressaiu a possibilidade admitida pelos diferentes candidatos ao Conselho Regulador de ser promovida uma alteração do modelo da ERC, ainda que frisando a qualidade dos profissionais da instituição e do trabalho que tem sido desenvolvido.
Os responsáveis ouvidos na Assembleia da República (AR) defenderam ainda em uníssono a necessidade de a ERC primar pelo rigor e isenção e de se adaptar à transformação do setor da comunicação social, realçando também as dificuldades financeiras que o mesmo atravessa e a tendência de concentração, de que o exemplo mais recente é a proposta de compra da Media Capital pela Altice.
Refira-se que os três membros atualmente em funções do Conselho Regulador da ERC não chegaram a acordo sobre a proposta de compra da Media Capital pela Altice, disse hoje à Lusa fonte ligada ao processo. Perante a falta de consenso, o processo passa agora para a alçada da Autoridade da Concorrência.
Na última sexta-feira, PSD e PS chegaram a acordo para a eleição de quatro dos cinco membros do Conselho Regulador da ERC, estando estabelecido que o quinto elemento será obrigatoriamente alguém com perfil independente.
A eleição, no parlamento, do Conselho Regulador da ERC, que esteve num impasse político desde janeiro, está marcada o próximo dia 20, necessitando de uma maioria de dois terços, ou seja, de um acordo entre PS e PSD.
Hoje, a presidente da CCCJD, Edite Estrela, aproveitou a presença no parlamento dos quatro candidatos que foram escolhidos para apelar para que a escolha do quinto elemento do Conselho Regulador recaia sobre uma mulher.
Segundo Edite Estrela, isso promoveria um maior “equilíbrio entre os dois géneros” e serviria até de “exemplo para os OCS, onde ao nível das funções de topo há uma sub-representação do género feminino”.
Fátima Resende Lima já exerce funções na ERC, Francisco Azevedo e Silva é antigo membro de direções do Diário de Notícias, João Pedro Figueiredo é jurista e Mário Mesquita é professor universitário.
