As viagens oficiais de Mário Soares ficaram como uma das marcas dos seus mandatos presidenciais. Em 1995, o DIÁRIO teve o privilégio de integrar a comitiva oficial a dois países – África do Sul e Seychelles – naquela que possivelmente terá sido a deslocação oficial mais polémica dos mandatos de Soares.

Como na altura escrevemos, para além da sua inconfundível postura, das inexcedíveis qualidades políticas, da sua faceta extraordinariamente humana, os portugueses vão recordar sempre a dimensão de Soares além-fronteiras. Por causa do seu prestígio, mas também pelas inúmeras viagens que protagonizou.

O Presidente da República abriu e fechou a incursão a sul com um programa pouco formal. Absolutamente relevantes foram os actos oficiais que juntaram Mário Soares e uma das personalidades que mais ‘enche’ o mundo: Nelson Mandela. De igual importância foram os eventos em que o Presidente português evocou os marcos históricos de Portugal naquelas paragens. Mas o que todos recordam, com um sorriso algo trocista, são as imagens de Soares no safari matinal na reserva Sabi Sabi, quase em Moçambique, ou o Presidente encavalitado na tartaruga gigante nas Seychelles, ou a passear em fato de banho nas suas praias paradisíacas. Momentos que tivemos a sorte de vivenciar, em representação do DIÁRIO de Notícias da Madeira, na companhia de outra jornalista madeirense, a saudosa Lília Bernardes, enviada-especial do DN-Lisboa, entre um grupo de companheiros de outros órgãos nacionais.

As viagens de Soares não se confinavam a ele. As suas comitivas integravam personalidades dos diversos sectores da sociedade portuguesa. E foi gratificante viajar ao lado do general Carlos Azeredo, numa viagem interna, a relatar imensas histórias da sua passagem pela Madeira onde foi o último governador, nos anos 70, com versões pouco coincidentes com as de outros protagonistas.

No final da visita oficial à África do Sul, já no avião que nos levou às Seychelles, Soares surgiu perante os jornalistas sem gravata e com um pólo colorido. “Sim, vou aproveitar para dar um bom mergulho”, anunciou, alimentando dessa forma a discussão que ecoava em Portugal na altura. Quem ficou a perder foi o deputado açoriano Reis Leite que, em coerência com o seu partido em Lisboa, decidiu regressar sem concluir a viagem para que fora convidado.