O líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, anunciou hoje o prolongamento por sessenta dias da trégua temporária declarada há uma semana, para dar tranquilidade às negociações de paz em Moçambique.

“Esta trégua ou prorrogação é para criarmos um ambiente favorável para podermos assegurar o diálogo aí em Maputo. Isto é, tranquiliza ambos os lados, Renamo e o Governo de Moçambique, para que as coisas possam correr bem. E, por outro lado, oferecer a paz aos moçambicanos”, declarou Dhlakama, em declarações por telefone aos jornalistas reunidos na sede nacional do maior partido de oposição, na capital do país.

O anúncio de Afonso Dhlakama surge um dia após ter mantido uma conversa por telefone com o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, para fazer o balanço da trégua de uma semana, declarada pelo presidente da Renamo a 27 de Dezembro.

Dhlakama recordou hoje que, há uma semana, já tinha admitido a possibilidade de prolongar a trégua se tudo corresse bem.

“De facto, correu bem”, afirmou, apesar de “alguns pequenos incidentes”.

O líder da Renamo reiterou que a mediação internacional nas negociações de paz “vai manter-se” e que o modelo das conversações incluirá um grupo, dentro da comissão mista, para tratar do processo da descentralização e do pacote eleitoral, com dois membros indicados por cada parte e um especialista escolhido por consenso em assuntos constitucionais.

“O outro grupo vai tratar das questões da política de defesa e segurança, isto é, as forças armadas, para além da discussão da nomeação dos governadores [provinciais], do SISE [Serviços de Informação e Segurança do Estado] e outras questões”, referiu.

Na conversa com o chefe de Estado, Dhlakama disse ter assegurado que as suas forças “não irão provocar nos quartéis das forças governamentais” e que esperava o mesmo comportamento das forças armadas, da polícia e outros agentes.

Por outro lado, ainda segundo o líder da oposição, lamentou a situação de membros da Renamo “a viver nas matas, abandonando as suas residências, por medo de raptos” e pediu a colaboração do Governo.

O presidente da Renamo descreveu algumas “provocações” ao longo da última semana no distrito da Gorongosa, onde afirma que se encontra, de forças governamentais que saquearam e queimaram um mercado e de um membro do seu partido atacado e roubado na sua residência.

“Outras provocações foram aquelas de que os polícias não queriam abandonar as colunas”, prosseguiu Dhlakama, numa referência às escoltas militares obrigatórias a viaturas civis nas principais estradas do centro do país, e dando conta de que falou com o chefe de Estado para parar aquelas medidas de segurança, uma vez que “já não há ataques”.