O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda (BE) veio hoje a público pronunciar-se sobre aquilo que apelida de “balbúrdia que se vive no sector da saúde mental na Região” e anunciou que vai apresentar um requerimento, com carácter de urgência, para ouvir o secretário regional da Saúde.
O líder regional Roberto Almada lembrou que, com a demissão do director do serviço de Psiquiatria, “ficamos apenas com um médico psiquiatra naquele serviço” que, por seu lado, “sai no final deste mês de acordo com informações veiculadas, também pela comunicação social”. Com tudo isto, reforça o deputado, “no final deste mês corremos o risco de ter um serviço de Psiquiatria do SESARAM perfeitamente desmantelado, sem qualquer médico psiquiatra e sem qualquer capacidade de resposta para os cerca de 1.500 que eram atendidos naquele serviço e que neste momento estão entregues à sua própria sorte”.
Roberto Almada diz que “esta irresponsabilidade dos responsáveis das políticas de saúde na Região já vem de longe, do tempo em que os psiquiatras começaram a debandar” do Serviço Regional de Saúde”, lembrando que o BE foi “o primeiro partido, fora e dentro do Parlamento, a denunciá-lo”.
O BE questiona, por isso, o Governo Regional sobre qual o futuro destes doentes, acrescentando que estas pessoas “sendo acompanhadas, podem ter uma qualidade de vida muito aceitável”. Pelo contrário, se não tiverem esse acompanhamento, “são pessoas que facilmente entram em descompensação, facilmente têm problemas do foro psiquiátrico gravíssimos”.
Roberto Almada lança uma outra interrogação, que pretende ver esclarecida pelo Governo Regional: “Em que medida esta balbúrdia no Serviço Regional de Saúde tem contribuído ou não para que nos últimos tempos tenhamos tido um aumento considerável nas tentativas de suicídio (...), dos suicídios efectivamente consumados (...), das tentativas de homicídio” que têm ocorrido na Região.
O líder do BE lembra que, aquando da saída de alguns psiquiatras em Outubro do ano passado, foi levada à Assembleia Regional um requerimento a pedir a presença do Secretário Regional da Saúde e do director do serviço de Psiquiatria no Parlamento. “O PSD, na Comissão de Saúde, sugeriu que se ouvisse apenas o director do serviço de Psiquiatria, o que até hoje não foi feito”, sendo agora “impossível de fazê-lo” face à sua demissão.
