Talvez um dia, o povo da Madeira e Porto Santo seja governado por quem o respeite Na Madeira, falhar promessas é quase uma tradição. Há hoje um imediatismo e improviso assustador nas agendas governativas. Um frenesim a ver quem sugere coisas espetaculares para anunciar todos os dias. Não interessa se é fazível, se há exequibilidade. Interessa é anunciar. Veja-se o renovado Governo. Prometeu um ferry, que ainda não aportou. Prometeu um avião cargueiro, que nunca aterrou. Prometeu uma nova política para a saúde, que até agora, nunca concretizou. Prometeu o novo hospital, que até agora, não conhece desenvolvimentos relevantes. Veja-se, por exemplo, a “nova” Câmara do Funchal. Prometeu levar a câmara à porta, mas as portas nunca se abriram. Anunciou um balcão para o investimento, mas não se sabe quantos investidores lá foram. Prometeu novas políticas sociais, mas na prática, nunca inovou. Prometeu transformar o matadouro municipal num espaço cultural e nunca o transformou. Veja-se também quem na Madeira, representa Lisboa. O PS prometeu apoios de lá para o novo hospital. Lembro-me de manchetes espetaculares a garantir apoios ao novo hospital pelo governo de António Costa e duplicação dos milhões de fundos comunitários. Os apoios não vieram. A candidatura para a construção do novo hospital levou chumbo politico do conselho de acompanhamento das politicas financeiras, o que significa um veto político do PS. Prometeu mais verbas para a Madeira e o que se vê é uma contínua política de discriminação face aos Açores. Prometeu ajudar a rever o subsídio de mobilidade e nunca ajudou. Prometeu ajuda para os incêndios, e...ainda nada. Talvez um dia cheguemos a um estágio no qual os compromissos sejam efetivamente para cumprir. No qual a preocupação obsessiva com a imagem seja substituída pela preocupação com os eleitores. No qual as estratégias de desenvolvimento resultem efetivamente de estudo e de planeamento. No qual o “chico-espertismo” político, que se traduz no “dar a notícia primeiro é que conta”, no “interessa a forma, o conteúdo logo se vê”, no “o povo tem memória curta” seja ultrapassado. Talvez um dia, o povo da Madeira e do Porto Santo seja governado por quem efetivamente o respeite. Porque estas ilhas não têm de estar condenadas a esta espécie de continuada desventura. Enquanto políticos, o trabalho mais relevante que podemos fazer é respeitar as pessoas, apostando na credibilidade e na credibilização da atividade política. No cumprimento das promessas feitas. Em dizer a verdade, mesmo que não agrade a todos. Em reconhecer os erros. Em gerir bem, no interesse de todos e não só de alguns, mesmo que isso não agrade a todos. Fazer política não é algo destinado a alguns eleitos. A política deve ser feita por todos, para todos. Quando isto acontecer, não atingiremos o estágio da perfeição, mas chegaremos ao tempo em que os eleitos respeitarão os eleitores, assumindo compromissos e cumprindo, estudando e planeando, gerindo na lógica do interesse comum e dizendo a verdade. Rui Barreto, Líder parlamentar do CDS
Talvez um dia, o povo da Madeira e Porto Santo seja governado por quem o respeite
Na Madeira, falhar promessas é quase uma tradição. Há hoje um imediatismo e improviso assustador nas agendas governativas. Um frenesim a ver quem sugere coisas espetaculares para anunciar todos os dias. Não interessa se é fazível, se há exequibilidade. Interessa é anunciar. Veja-se o renovado Governo. Prometeu um ferry, que ainda não aportou. Prometeu um avião cargueiro, que nunca aterrou. Prometeu uma nova política para a saúde, que até agora, nunca concretizou. Prometeu o novo hospital, que até agora, não conhece desenvolvimentos relevantes. Veja-se, por exemplo, a “nova” Câmara do Funchal. Prometeu levar a câmara à porta, mas as portas nunca se abriram. Anunciou um balcão para o investimento, mas não se sabe quantos investidores lá foram. Prometeu novas políticas sociais, mas na prática, nunca inovou. Prometeu transformar o matadouro municipal num espaço cultural e nunca o transformou. Veja-se também quem na Madeira, representa Lisboa. O PS prometeu apoios de lá para o novo hospital. Lembro-me de manchetes espetaculares a garantir apoios ao novo hospital pelo governo de António Costa e duplicação dos milhões de fundos comunitários. Os apoios não vieram. A candidatura para a construção do novo hospital levou chumbo politico do conselho de acompanhamento das politicas financeiras, o que significa um veto político do PS. Prometeu mais verbas para a Madeira e o que se vê é uma contínua política de discriminação face aos Açores. Prometeu ajudar a rever o subsídio de mobilidade e nunca ajudou. Prometeu ajuda para os incêndios, e...ainda nada. Talvez um dia cheguemos a um estágio no qual os compromissos sejam efetivamente para cumprir. No qual a preocupação obsessiva com a imagem seja substituída pela preocupação com os eleitores. No qual as estratégias de desenvolvimento resultem efetivamente de estudo e de planeamento. No qual o “chico-espertismo” político, que se traduz no “dar a notícia primeiro é que conta”, no “interessa a forma, o conteúdo logo se vê”, no “o povo tem memória curta” seja ultrapassado. Talvez um dia, o povo da Madeira e do Porto Santo seja governado por quem efetivamente o respeite. Porque estas ilhas não têm de estar condenadas a esta espécie de continuada desventura. Enquanto políticos, o trabalho mais relevante que podemos fazer é respeitar as pessoas, apostando na credibilidade e na credibilização da atividade política. No cumprimento das promessas feitas. Em dizer a verdade, mesmo que não agrade a todos. Em reconhecer os erros. Em gerir bem, no interesse de todos e não só de alguns, mesmo que isso não agrade a todos. Fazer política não é algo destinado a alguns eleitos. A política deve ser feita por todos, para todos. Quando isto acontecer, não atingiremos o estágio da perfeição, mas chegaremos ao tempo em que os eleitos respeitarão os eleitores, assumindo compromissos e cumprindo, estudando e planeando, gerindo na lógica do interesse comum e dizendo a verdade.
Rui Barreto, Líder parlamentar do CDS