Experiência do milionário Por vezes, a experiência chega mesmo tarde demais. Uma pessoa ficou milionária ao ganhar o euromilhões e não sabia o que fazer a tanto dinheiro. Um dia, o milionário encontrou um amigo empresário, que já tinha tido várias empresas, e ambos decidiram abrir uma sociedade: O milionário entrava com dinheiro e o empresário com a experiência. Decorrido algum tempo, o milionário encontrou um amigo que lhe perguntou como estava a decorrer o negócio. O milionário, desanimado, respondeu: - Está tudo mal... De início, eu entrei na sociedade com o dinheiro e o meu sócio com a experiência. Agora, o meu sócio é quem ficou com o dinheiro e eu fiquei com a experiência. O rei perfeito Na Idade Média, houve uma tradição em vários países, incluindo Portugal, de que um príncipe podia ser rei aos 14 anos, mas só podia casar aos 18 anos. Este regime era assim porque, dizia-se, “é mais fácil governar um país do que um lar”. Num pequeno país medieval, o rei morreu quando o príncipe tinha 14 anos. Embora pudesse ser rei, os conselheiros entenderam que o príncipe ainda não tinha experiência suficiente. Por isso, sugeriram que o príncipe, antes de ser rei, fizesse um estágio noutras cortes para adquirir experiência. E assim aconteceu. Durante alguns anos, o príncipe percorreu outros países para ver como os reis governavam, como decidiam a guerra e a paz e como resolviam os muitos conflitos que surgiam na corte. Quando o príncipe voltou ao seu país, porém, o trono já tinha sido ocupado por outro rei. O príncipe adquiriu experiência, mas continuou sem trono. A experiência que nunca chega Diz-se que um amigo de Bocage, ao vê-lo com um fato roto, ofereceu-lhe uma peça de roupa para um fato novo. Mas Bocage nunca o mandou fazer. Sempre que perguntavam a Bocage porque andava com fato velho se tinha peça de fazenda para fazer fato novo, Bocage respondia que estava à espera da última moda. O problema de Bocage é que, após uma moda, surgia sempre uma outra nova moda. Resultado: acabou por nunca mandar fazer o fato novo. Por vezes, é isto que nos acontece. Deixamos para amanhã o que podemos fazer hoje. A experiência é, sem dúvida, importante. Mas também não podemos exigir que tudo aconteça apenas após experiência. Tal como diz o povo, que tem sempre razão: “Não deixes para amanhã o que deves fazer hoje”, assim como, “a falta de experiência é um defeito que passa com o tempo”.
João Luís Gonçalves