Graziela Camacho Não sei o teu nome, mas sei que já és um lutador, neste mundo onde, por vezes, impera tanto materialismo.
No imenso areal desta praia, onde a luz do sol se reflete, tornado a areia semelhante a uma pedra preciosa com reflexos tão luminosos, tu lá estás.
Têm sido dias seguidos sempre a mesma rotina.
Mas hoje, foi um dia diferente. Guiado pelas mãos de um jovem, entraste nas águas que te aguardavam. E a espuma branca beijou os teus pezinhos tão pequeninos ainda, mas já tão grandes no esforço para te equilibrarem.
E, um sorriso tão lindo, tão luminoso inundou o teu rosto tão feliz! E as ondas pequeninas que vinham à babujinha, brincavam e depois mergulhavam na imensidão do mar.
Apesar das dificuldades de movimentos tu não desanimaste. E a mão do Jovem que te segurava, guiava-te com carinho, também ele exemplo de dedicação.
Concentravam no rosto a alegria de um mundo inteiro.
E as outras crianças brincavam, saltavam. Era uma vida despreocupada. Eu observava-te de longe mas sentia a tua felicidade na dificuldade.
Tu sorrias e depois, já sentadinho na areia, enchias o teu copinho de iogurte. Depois, despejava-lo. E assim aconteceu repetidas vezes.
Não te cansavas. Era o teu modo de brincar. Era o que podias fazer.
Só não podias correr e saltar como os teus colegas. Mas corrias imaginando e isso trazia-te felicidade. A tua felicidade, menino do colete laranja! A felicidade que, na dificuldade, tu construías.
Há dias que observo o teu viver. E, quando toca a hora da partida, pegas na tua bolsinha e lá caminhas com a ajuda da mão que te protege, mas à tua medida.
E tu não desanimas. Menino do colete laranja, lição de vida, o meu muito Obrigada!