Sara Jesus Desde que me lembro sempre escrevi. É através da escrita que relato os meus pesares, as minhas alegrias, as minhas conquistas e todo o que me vai na alma. Possui sempre uns cadernos em que escrevia as minhas histórias, e um diário onde contava os acontecimentos do dia á dia.
E adorava escrever cartas. Especialmente nos aniversários. Como não tinha dinheiro para comprar prendas, oferecia pequenas histórias, alguns objectos e flores. Eu era de facto uma menina original!
Na escola a professora colocava uma caixa em que os alunos podiam mandar cartas para os colegas. Uma vez recebi uma carta de S dizendo que estava apaixonado por mim. Eu rasguei-a, sem dar tempo da minha amiga Tatiana ler.
Em todos os aniversários recebia (ainda recebo) cartas do meu padrinho. Mesmo quando ele pode vir aos meus anos, ele me manda uma carta. São os melhores presentes! É um prazer ler as suas palavras saudosas, me falando com carinho e sempre com orgulho de mim. Elas já se encontram guardadas no meu coração. E não as trocaria por nenhum ouro do mundo. Valem mais do que todo para mim. Pois são a demostração de afecto do meu padrinho. E é sempre bom lê-las quando a saudade aperta!
O mundo seria um lugar melhor se as pessoas voltassem a escrever cartas. Em vez de passarem os dias a enviarem mensagens. Porque digam o que disserem não é a mesma coisa. Mesmo o correio electrónico. Para mim a carta é a melhor maneira de publicação. E era tão bom se não perdêssemos essa nossa herança!