A psiquiatria ainda não conseguiu explicar, mas é um facto que a maioria das pessoas assumem níveis de insanidade impensáveis quando entram nas redes sociais, nos espaços de comentários e outros locais da 'rede' em que vale tudo. Não pensam, escrevem e 'postam' tudo o que dispara na cabeça. Dizem coisas de bradar aos céus. E alguns até são pessoas normais, na vida real. Ou parecem. Vem isto a propósito dos comentários selvagens que surgiram, um pouco por todo o lado, sobre o assassinato bárbaro de um vice-ministro boliviano, espancado até à morte por mineiros. Um homem que foi tentar mediar um conflito e acabou assassinado. A sua morte, como disse o presidente Morales, é um crime que não tem perdão possível. Os comentários foram do tipo 'isso devia acontecer com todos os políticos', 'pode ser que aprendam', etc. Besta, é uma classificação simpática para quem escreve ou diz uma coisa destas. Tudo porque se convencionou que os políticos e outras figuras públicas, pura e simplesmente, não são pessoas. E, ainda mais generalizado, o povo, essa massa anónima, tem sempre razão – mesmo que seja responsável por eleger os políticos -, pode insultar quem lhe apetecer e, mesmo que fuja aos impostos, engane o vizinho e cometa todo os excessos na estrada, é um cidadão exemplar. Na rede, são todos bons, pintam as fotos com as cores do país onde ocorreu a última desgraça e até são enganados por campanhas para angariação de e-mails. Depois, escrevem loucuras, com erros ortográficos e quase sempre anónimas que lhes garantem um laço castanho com a inscrição 'je suis uma besta'.