Manuel João Batista Rosa Por uma questão de sobrevivência, qualquer organização partidária deve ter uma base de apoio eleitoral e promover o seu crescimento. O produto que pretendem “vender” é intangível, um conjunto de ideias que, se postas em prática, supostamente melhoram a vida das pessoas, o que torna a dificuldade maior dada a fraca formação política reinante e a forte concorrência de outras forças partidárias.

A melhor estratégia para fazer chegar as ideias às pessoas e torná-las apetecíveis é ajudá-las na colocação dos seus problemas junto das entidades com competência para resolvê-los. Para isso, os partidos têm de ter pessoas credíveis junto da população, capazes de os identificar, estudar e oportunamente apresentá-los junto das entidades competentes para a sua resolução.

A atitude destas entidades face às questões apresentadas deve ser depois comunicada às populações para que, deste modo, sintam que o partido existe para as ajudar e não apenas para lhes solicitar o voto na altura das eleições. O sistema (conjunto de elementos que interagem entre si e com o meio ambiente com determinada finalidade) é constituído pela população, órgãos do partido com ligação directa às populações, órgão de cúpula do partido que seja o elo de ligação regular entre aqueles órgãos de base e o líder e, por último, as entidades oficiais competentes para a resolução dos problemas das populações.

O sistema deve ser desenhado, implementado, administrado e controlado por órgão adequado, situado ao nível hierárquico da direcção do partido, ao qual compete o regular funcionamento do sistema. A liderança, para ser eficaz, deve ter uma ligação regular com os órgãos de base do partido, entidades externas e uma comunicação com a população, fundamentada na informação recebida das bases, caso contrário, jamais conseguirá alcançar o poder ou mantê-lo.