Desculpem repetir um título, mas prometo que o conteúdo é diferente. Há coisas que embora provoquem algum desconforto, não são demasiado graves, mas chateiam. Vejamos o que se passa com as obras na Ribeira de Santa Luzia no Funchal, que estão a ser feitas para destruir e esconder património, em zonas que incomodam muito, tanto os transeuntes como os condutores. Antes de começar uma obra são precisos fazer estudos preliminares, depois projectos e cálculos, seguindo-se o concurso onde inclui a calendarização de execução da mesma, a sua fiscalização por pessoas competentes e sérias e finalmente a entrega e inauguração da obra. À partida essa obra deveria ter obedecido a esses critérios e certamente que a calendarização, deveria obedecer a vários critérios, nomeadamente o respeito e consideração pelos madeirenses, ou mesmo pelos que nos visitam. Assim as prioridades das obras deveriam ser tomadas em consideração, aquelas que mais “incomodam” os utentes e as que mais empatam a fluência do trânsito, numa cidade que está a ficar bem complicado circular nas horas de ponta, principalmente por falta de alternativas. De um modo geral o condutor procura, por sua própria iniciativa os caminhos que pensa serem mais fáceis, mas logo a seguir encontra logo outro contratempo. Tudo isto vem a propósito das pontes que foram fechadas, nomeadamente a Ponte Nova e aquela ponte que fica entre a ponte do torreão e a bomba da Galp na 31 de Janeiro, em frente aos jardins de Santa Luzia. Quem vem dos lados da Pena e que vem em direcção à Ponte Nova tem que dar uma voltinha à Ponte de Santa Emilia e depois apanhar a 5 de Outubro. Aí o trânsito está num verdadeiro inferno, com grandes engarrafamentos. Por outro lado quem vem do túnel da Via 25 de Abril no sentido Maravilhas Cruz Vermelha e quer subir para a 31 de Janeiro, que antes seguia pela Rua das Mercês (parte Norte) em direcção para o largo do Marquês, virava à direita e passava a 2.ª ponte a que nos referimos atrás e apanhava a 31 de Janeiro em frente aos Jardins de Santa Luzia.
Com essas duas pontes fechadas, o caos instala-se nessas duas zonas com grandes engarrafamentos. Perguntamos porque não se fazem as obras, em primeiro lugar nessas duas pontes, de modo a promover a circulação mais fluente? Ao tempo que essas duas pontes estão interrompidas, quase que dava para fazer uma nova ponte sobre o rio Tejo...
Na passada Sexta Feira, rumei a Norte, pelas 16,30 horas e tudo correu bem até apanhar a Via Expresso entre a Ribeira Brava e a Serra D’Água por causa da manutenção de um tubo de água no túnel (de pequenas dimensões) do “Modelo”, que é preciso lixar e depois pintar. Essa obra obriga a eliminar uma das faixas, com a ajuda de semáforos decorrendo há mais de 15 dias e pelo andar da carruagem, não fazemos ideia quando estará concluída. Para já, acho que essa obra deveria ser feita durante noite, devido à existência de menor transito e o que o governo paga à via Expresso é mais que suficiente para poderem pagar horas nocturnas aos trabalhadores, que também ganhariam em saúde porque iriam respirar muito menos fumo dos carros. Bem como dizíamos, notamos que o semáforo estava sempre verde para quem subia e logo a seguir verificava-se uma grande fila descendente, que pelos vistos já durava há muito tempo, pois encontramos vários condutores dessas viaturas paradas a jogar aos “milhinhos”, sentados no muro que protege da ribeira. Motivo deste grande engarrafamento: Uma prova de ciclismo, que suponho ser a volta à Madeira e os ciclistas, logicamente não poderiam ser interrompidas por um qualquer semáforo. Não sei de quem é a culpa, se da Via Expresso se da organização da prova, porque seria tão fácil abrir as duas faixas para que a prova não fosse interrompida, retirando dois andaimes onde trabalhavam apenas quatro trabalhadores, mas a maior parte das outras vezes que lá passei nestas duas semanas nunca vi mais que dois trabalhadores. Essa operação não demoraria mais que uns vinte ou trinta minutos e respectiva reposição. Penso que os organizadores desconheciam essa interrupção de transito e a própria Via Expresso não sabia da existência dessa prova. Será? Não sei qual das versões é a correcta…
De qualquer maneira estes dois exemplos que demonstram a falta de respeito pelos condutores e pelos peões, por parte do dono das obras, ou das vias e também pelos respectivos empreiteiros, mas com mais responsabilidade para os donos das obras, porque quem paga manda, demonstrando claramente uma falta de coordenação do Governo Regional e uma falta de respeito e de consideração por quem paga os seus impostos, para além de terem escolhido uma data pouco consentânea com o transito das nossas estradas, que é sempre maior no período estival.
Ninguém gosta de estar em filas, ou em bichas, como queiram chamar e chateia mesmo, em especial quando temos alguma pressa, o trânsito não anda e sentimo-nos desrespeitados e sem compreender porque motivos as nossas vias mais rápidas estão permanentemente em obras...
Duarte Caldeira Ferreira