É tempo de celebrarmos todas as vitórias desportivas que temos tido nos últimos tempos com realce para o título de Campeões da Europa com o triunfo no Euro 2016, mas não esquecendo todas as outras vitórias que nos fazem vibrar e gritar bem alto: “Viva Portugal!”. Cada vez que a nossa seleção ganha, a nossa felicidade aumenta e como Economista pergunto-me qual o valor desse aumento de felicidade. A teoria económica sugere que para se calcular este valor se pedisse a cada um que dissesse a que montante de prémio monetário equivalia a mesma alegria do que a vitória da seleção nacional. Assim, perante esta pergunta uns diriam que era equivalente a ganhar €10, mas penso que a maioria diria muito mais. Somando os montantes de todos chegaríamos a um aumento de riqueza nacional que seria equivalente, em termos da nossa felicidade, à vitória da seleção. Numa noite Portugal ficou bastante mais rico! Apesar de ser possível realizar os cálculos acima dado os avanços da informática e das redes sociais penso que tal exercício nunca foi tentado, mas existem, no entanto, estimativas do valor do Desporto na Economia Nacional. O Instituto Nacional de Estatística (INE) apresentou, a 5 de Abril deste ano, um destaque com os resultados da Conta Satélite do Desporto, ou seja, uma conta cujo objetivo é calcular o valor do Desporto e de todas as atividades relacionadas em termos de Valor Acrescentado Bruto (VAB) e de Emprego. Assim ficamos a saber que no triénio 2010-2012 o Desporto e as atividades relacionadas representaram (em média) 1,2% do VAB e 1,4% do Emprego (em termos de equivalente a tempo inteiro) com uma remuneração média que excedeu em 5% a remuneração média nacional. As atividades desportivas em si representaram 0,3% tanto do VAB como do Emprego. O Desporto e atividades relacionadas tiveram mais peso no VAB do que a Indústria do Vestuário (0,9%) ou a Indústria das Bebidas (0,5%), no entanto, o valor de 1,2% é muito inferior às estimativas encontradas para outros países como o Reino Unido (2,6% em 2012), Alemanha (3,3% em 2008) e Áustria (4% em 2004). O destaque do INE dá também realce ao trabalho voluntário no Desporto, onde mais de 39000 voluntários foram responsáveis por mais de 14617,8 mil horas de trabalho voluntário. Note-se que 86% dos voluntários no Desporto são do sexo masculino os quais exercem 95% do tempo de trabalho voluntário. Estou convencido que os números acima ficam muito abaixo do valor da nossa alegria, por isso termino com um agradecimento a todos os desportistas e técnicos pelo seu esforço e empenho. Viva Portugal!

Pedro Telhado Pereira, Professor Catedrático da Universidade da Madeira