Portugal é hoje infelizmente um dos Estados que acriticamente se encontra no grupo europeu comandado pela Alemanha.
Sem liderança, o “projeto europeu” virou jargão e até motivo de chacota. A Europa dos cidadãos, aquilo que em 1986 fez com que Portugal aderisse à então CEE, é hoje apenas uma miragem. E a culpa não é apenas da crise.
A saída da Grã Bretanha da União Europeia terá, espero, o condão de colocar a União Europeia a ponderar sobre o caminho que tem escolhido: optou por uma política orçamental que está a destruir as economias mais frágeis do grupo, enquanto a Alemanha aforra a níveis que de algum modo imobilizam o crescimento da Europa enquanto um todo, formado pelo conjunto das economias nacionais. Tal como noutros momentos aqui escrevi, a ditadura hoje é financeira.
Mas a culpa não morre solteira; Portugal como outras economias do Sul está falida porque vive de dinheiro emprestado e hoje quem dita as regras é quem nos empresta o dinheiro. Acresce que Portugal está também refém dos Tratados que assinou, sem nunca os ter referendado, na ilusão de que o dinheiro fácil nos resolveria todos os problemas. Mera ilusão, oxalá a História não cesse dos nos ensinar.
Parece óbvio que os países mais relutantes face ao destino europeu não poderão optar por sair da UE como a Grã Bretanha o fez, porque se trata de um país com uma solidez financeira, económica e militar que não é comparável, ao que acresce ainda o facto dos britânicos terem mantido a sua moeda e autonomia na política financeira, assim como beneficiaram de regimes de exceção.
A última parte da triste história em que a UE se tornou, é a completa disparidade de critérios que o Eurogrupo tem para com alguns países em detrimento de outros. A União Europeia está refém da influência política germânica e como esta age no espaço europeu. Um projeto europeu - e não influências políticas - deveriam liderar os interesses da UE.
Enquanto os princípios democráticos que estiveram na base da criação da União forem desrespeitados, o futuro não augura nada de bom. [email protected]
Luís Sena-Lino