José Henriques A qualidade de vida de um povo também se mede quando tem que enfrentar a cama de um hospital. E parece-me que, para quem não tem muitos recursos, a pérola do atlântico não tem muito para oferecer. Veja-se o Hospital dos Marmeleiros: não vou falar do estado da construção, de partes do tecto descobertos e das paredes com tinta a descolar-se (etc), não abordo o estado geral do edifício (este dava, isso sim, para um filme de Hitchcock). Refiro apenas este aspeto: os pacientes que ali se encontram, muitos (quase todos?!) numa idade avançada, não têm camas automáticas em condições, para se erguerem quando necessitam ou para simplesmente ficarem um pouco mais cómodos, mudando de posição. É uma coisa básica para um hospital. Sabemos que, regra geral, são pacientes com avançadas debilidades físicas e que não se conseguem sentar facilmente. Tendo em conta estas circunstâncias e a falta de material (faltam, por exemplo, óculos nasais à data que escrevo), o pessoal de serviço faz o que pode e é atencioso: é o melhor do hospital. Sem qualquer filiação política (nunca tive) digo que a madeira deve esta falta de material adequado num hospital ( e em tantos outros espaços de saúde) a políticos que, ao longo de décadas, sempre estiveram abaixo das nossas necessidades, para copiar uma frase de São José de Almeida.