Na última semana, uma deputada do PSD, Clara Tiago, lançou um debate inédito no parlamento regional. Subiu à tribuna e falou de eutanásia, da morte assistida, morte com dignidade e fim do sofrimento desnecessário. Um tema difícil a que os políticos, por norma, foge. Seja porque não têm opinião formada, ou porque preferem ver as primeiras sondagens sobre o assunto para a construir.

Um discurso que até deixou meio baralhada a bancada da maioria que não sabia bem como lidar com a posição da sua deputada, mas que mostrou uma abertura inédita e impossível noutros tempos bem próximos em que pensar pela sua cabeça não estava no caderno de encargos da maioria dos deputados 'laranja'.

Dos outros, vieram vozes de apoio, elogios pela coragem de trazer o tema, mas também posições contrárias. Reacções naturais, como natural deverá ser este debate, sem ideias pré-concebidas, respeitante a laicidade do Estado e deixando a cada um o direito a construir uma opinião sua e não imposta por religiões ou partidos.

Parabéns a Clara Tiago por ter feito subir o nível dos debates da assembleia para um patamar a que não estava habituada mas no qual deveria aprender a viver.