Ouvi na passada quarta-feira, pasmado, a primeira intervenção, num ano, do Deputado Miguel de Sousa na Assembleia. Este Deputado do PSD, que sustenta o governo de Albuquerque, e que se auto-proclama como sendo “o pai do Centro Internacional de Negócios (CINM)”, afirmou ser favorável a que se acabe com o CINM e se crie um modelo em que todas as empresas madeirenses possam beneficiar de um regime fiscal mais favorável e que seja uma alavanca geradora de emprego na Madeira. Não sei se, como eu próprio afirmei no Parlamento, aquela ‘tia’ da ACIF vai querer dar ao pai do CINM ‘uma “lição de sapiência para tótós”’ ou se os fundamentalistas do PSD Madeira virão dizer que o homem não disse nada daquilo que ouvimos, já que não há nada de esquisito naquele ‘maná dos céus’, naquela espécie de ‘paraíso na terra’ que é o CINM. Nem sei se os responsáveis da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira (SDM) se referiam a Miguel de Sousa quando falava nos ‘detractores do CINM’. Mas ainda bem que ficou escrito e que há gravações. Assim, quando os gajos do Bloco disserem que as empresas com existência real na Madeira, devem ser fiscalmente apoiadas, para dinamizar a economia destas Ilhas, criar riqueza e postos de trabalho efetivos na Região, saberão que não estão sós! Quando, na Assembleia da República, o Bloco disser que defende situações fiscais mais favoráveis de zonas periféricas, como a Madeira, para a criação de emprego, é bom que se recordem que, como disse Miguel de Sousa, na sua segunda intervenção em um ano, na passada quinta-feira, esta sua posição já existia até antes da Catarina Martins e do Bloco a reafirmarem. Claro que recusaremos sempre beneficiar fiscalmente empresas fantasmas, fugas aos impostos e empresas com actividades pouco claras. Quando à restante argumentação, a ela voltaremos, quando tivermos em nossas mãos a documentação solicitada pelo BE através da Assembleia: a listagem completa, detalhada e atualizada de todas as empresas registadas no CINM, o número de postos de trabalho que cada uma dessas empresas cria – e respetivos vencimentos dos seus trabalhadores e trabalhadoras –, bem como, o valor (em euros) dos impostos que cada uma dessas empresas paga na Região.

Roberto Almada Coordenador do BE