Joaquim A. Moura Para arranjar sustento com mais garantia, pão menos duro para o dia-a-dia, os nossos filhos partem uns atrás de outros carregados de malas com roletes e muita mágoa a tiracolo e colada à alma, e com o objectivo fundamental de aumentarem a sua formação e preparação para os dias que se adivinham difíceis, aquém e além mar. Portugal sempre foi um país de partida e hoje já não é de regresso. Só não parte quem ultrapassou o prazo de validade e possui apenas a precária condição de velho e sem as competências com que o país não lhe deu ou o dotou. Os jovens marcam cada vez mais encontro nas gares de passagem para outras margens. Portugal tem o futuro ameaçado ou no mínimo enegrecido. É na nuvem que se escondem as oportunidades a que só têm acesso os filhos privilegiados dos senhores morgados instalados no Poder. Para esses o sol nunca se põe, e não precisam de ir apanhar ar para outras bandas, nem latitudes rodeadas de perigos. Que Portugal se erga de uma vez por todas e sem deixar cair mais famílias no desepero, que por hoje enxameia cada lar insosso, com o mar a invadir-lhe todos os sonhos e a afogá-lo nos pesadelos piores e bem salgados!