Acho particular piada ao chamado campeonato da Madeira, que parece servir, em tempos de crise, para amenizar os estragos de temporadas menos conseguidas. De facto, quiçá como sinal dos tempos, Marítimo e Nacional realizaram temporadas muito aquém daquilo que cada um deles habituou os seus adeptos. As classificações de alvinegros e verde-rubros, nos lugares baixos da tabela, não podem alegrar particularmente nenhum adepto mais exigente, de molde a ficar feliz com o título de uma coisa que, na pratica, nem existe.
De qualquer modo, há muita coisa a repensar nas duas equipas e o mais preocupante é que não se perspectivam grandes melhorias em face do quadro vigente. Um quadro financeiro que não agoira nada de bom e que impede Marítimo e Nacional de contratar mais qualidade para os seus planteis, sabendo-se que a qualidade está bem cara.
Bom, mas resta a imaginação. E com ela, e se calhar só com ela, pode-se fazer muita coisa, num campeonato estrangulado pelos três grandes, que coarcta a possibilidade dos mais pequenos crescerem e, deste modo, haver outra competitividade/qualidade na Liga portuguesa. Que podem então Nacional e Marítimo fazer para voltarem aos tempos recentes de crónicos candidatos a lugares europeus? Esta uma questão de difícil resposta.
O Marítimo tem tido uma argumentação nos últimos anos, que tem servido, e com alguma razão, de desculpa para as duas últimas temporadas menos conseguidas: a construção/remodelação do seu estádio. O clube tem sido obrigado a substituir-se ao governo regional no pagamento das obras em curso, para dar lugar a um recinto que só pode orgulhar a Região e que será o único capaz de receber um jogo da selecção nacional, e esse custo tem cerceado um melhor investimento na equipa de futebol. E acredita o Marítimo que, com o estádio concluído (que não pago) criará valências que permitirão depois ao clube e à SAD caminhar num único sentido: o do sucesso. Mas, até lá não pode repetir uma época tão má como aquela que acaba de realizar, sob pena de hipotecar muito daquilo que tem sido a sua história centenária. É o que esperam os seus adeptos.
O Nacional não tem problemas de pagamento de estádios, mas terá outros, certamente, e tem a sorte e mérito de manter aquilo que considero fundamental numa equipa: o treinador. E Manuel Machado é sinónimo de garantia de que o sucesso pode estar sempre à porta.
Emanuel Rosa