De 1 a 7 de maio decorreu no Complexo de Piscinas Olímpicas do Funchal o Campeonato da Europa de Natação Adaptada. O Instituto Português do Desporto e Juventude classificou-o como o maior evento desportivo realizado em Portugal em 2016! Não vos irei maçar com números que são do conhecimento público, mas, convém referir que, muito possivelmente, se tratou do evento desportivo com maior grau de complexidade alguma vez realizado na RAM.
De seguida partilho convosco breves reflexões.
Em primeiro lugar, gostaria de realçar os grandes protagonistas do evento, os nadadores, que são um excelente exemplo de perseverança, de capacidade de superação perante todos os limites, do que é lutar contra as adversidades da vida …
Em segundo lugar, mencionar todos os elementos de apoio e suporte aos nadadores onde, naturalmente para além dos treinadores e demais “equipa técnica”, se incluem os familiares, pois não nos devemos esquecer que algumas das deficiências são deveras limitadoras da mobilidade e liberdade individual, obrigando a uma dinâmica familiar e social muito especial…
Em terceiro lugar, referenciar os apoios, nomeadamente: - os públicos (governamentais e autárquicos) que são “despoletadores” de mais-valias generalizadas nas pessoas e nas empresas regionais; - os privados que também compreendem que os dividendos que se retiram deste tipo de eventos não são só de curto prazo …
Por último, uma palavra para a organização, sendo que aqui não posso deixar de quebrar uma regra que tenho utilizado ao longo de mais de cinco anos e meio de artigos de opinião escritos mensalmente no DN, ou seja, tenho de distinguir especificamente duas pessoas: o Presidente da Federação Portuguesa de Natação, Prof. Doutor António Silva (Professor Catedrático de Ciências do Desporto, da UTAD) e o Presidente da Associação de Natação da Madeira, Mestre Avelino Silva (Licenciado em EF e Desporto e Mestre em Ensino de EF nos Ensinos Básico e Secundário pela UMa). Sem menosprezar a importância de outros elementos da organização, eles, cada um no seu nível de intervenção, foram um exemplo de como se podem gerir equipas com profissionais e voluntários com diferentes formações e experiências de vida, otimizando o que cada um tem de melhor.
No fundo, estes dois profissionais (não apenas por este evento) dão um importante contributo para a desmistificação do estigma, que alguns ainda teimam em manter, entre “teóricos e práticos”, rotulando automaticamente os académicos e quem tem formação universitária de “teóricos”.
O problema não se pode centrar em “teóricos ou práticos” mas em quem tem capacidades e competências para realizar obra com coerência. Ou seja, tendo um quadro conceptual de base e dominando metodologias e instrumentos que permitam a rentabilização dos processos…
É certo que a “popularidade” de tal estigma não se pode atribuir em exclusivo ao facto de alguns quererem esconder a sua incompetência, aos interesses instalados e ao receio de perder “o poleiro”. Infelizmente muitas vezes, demasiadas vezes, a formação universitária (tal como todo o sistema educativo) ainda está demasiado centrada nos professores e na transmissão de conhecimentos e não no desenvolvimento das capacidades e potencialidades de cada aluno, por exemplo, estimulando a pesquisa, a montagens de estratégias, a criatividade, a autonomia e a capacidade de adaptação a diferentes contextos …
Contudo, mesmo com todas as disfuncionalidades que apresenta, a formação de nível superior ainda é aquela que “oferece” mais possibilidades de sucesso pessoal e profissional …
Helder Lopes