Muitos dos que opinam sobre a utilização dos offshores como placa giratória entre o legal e o ilegal, defenderam as suas funções.
Governantes que agora comentam as recentes revelações sobre o mundo financeiro e os paraísos fiscais, identificam-se com o sistema capitalista e promovem a mobilidade do capital.
Instituições internacionais que manifestam inquietude em relação aos resultados da investigação “Panama Papers”, tudo fizeram para facilitar os mercados financeiros e a sua natureza especulativa, tendo como centro as praças offshore, porque é aí que se encontra domiciliada a parte mais activa e móvel do capital financeiro mundial.
Estados que expressam repúdio face às nebulosas triangulações do capital nas “praças financeiras”, desenvolveram os offshores para dar o maior espaço possível de manobra ao capital.
Que sentido faz que os Estados criem praças onde prescindem da cobrança de impostos, de mecanismos de regulação e supervisão financeira, onde o secretismo é máximo e a transparência é mínima? Quando a capacidade do Estado em reconhecer direitos básicos às populações tem sido dificultada pela capacidade do capital em fugir ao fisco, que sentido faz favorecer os offshores como via para a fuga às obrigações fiscais?
É difícil não reconhecer que os offshores são uma das criações mais absurdas e perversas da economia moderna. Comportam contradições, mas nada mais são do que o capitalismo no seu desesperado esforço para se conseguir manter.
Edgar Silva