O mercado dos conteúdos tem assumido nos últimos anos uma importância crescente no nosso país. Para mim que dedico especial atenção sobre esta área, considero que a razão do seu crescimento prende-se sobretudo com três aspectos: as crenças; O crescimento dos canais especializados na TV por cabo e o acesso generalizado da internet e em especial das redes sociais.

Quanto às crenças é claro que presentemente existe uma lacuna, principalmente no relacionamento com as convicções. Assim sendo, os conteúdos de entretenimento acabam por funcionar como um “escape”, e existem escapes para todos os “bolsos” e para todos os gostos.

Relativamente ao crescimento dos canais que chegam em número cada vez maior e temáticas diversas e, sobretudo, aos avanços tecnológicos e à internet que permitiram que cada um de nós se torne no mais importante público dos orçamentos publicitários..

A realidade do zapping e as novas plataformas digitais criaram novos desafios, desta forma, a ligação destes factores só poderia fazer com que o marketing do entretenimento assumisse uma dimensão cada vez maior. Entenda-se o entretenimento enquanto acção, evento ou atividade com o fim de entreter e suscitar o interesse de uma audiência. Como comunicar através do entretenimento? Fundamental definir estratégias Hoje, o entretenimento e os seus principais interlocutores assumiram o estatuto privilegiado de meios de comunicação. Assim, consoante o seu target e estratégia, a marca deve definir se o entretenimento é uma das suas opções de comunicação. Se resposta for positiva, definir qual o tipo de evento mais adequado e o objectivo pretendido. Passar por todo este trabalho de selecção é o que faz a diferença entre um patrocínio ou um apoio financeiro em forma de ajuda ou cunha, que hoje em dia se tornou o mais frequente, infelizmente. Na sequência do ponto anterior, temos de considerar várias opções: Queremos promover uma acção de RP com os clientes. Uma promoção? Criar um evento de raiz? Ou o objectivo é fazer uma campanha que utilize o entretenimento como motor? A partir deste ponto, já estamos em condições de construir a ponte que queremos, faremos um patrocínio, parceria, licenciamento ou evento de raiz? Os eventos - entretenimento de raiz Vou abordar em pormenor “uma ideia de entretenimento de raiz”, o “Evento” propriamente dito, porque são os mais mediáticos e sobretudo porque o nós portugueses temos sido campeões na arte de conceber, receber e desenvolver eventos de referência mundial. Escolhendo o evento, o anunciante pode optar por: criar um evento (neste caso criado de raiz com um carácter promocional e exibicional da sua marca.), pode também associar-se a um evento organizado, que pode fazer parte de uma organização/marca conhecida.

Optando pela colagem a um evento, a marca tem ainda diversas alternativas: patrocinar o evento ou um dos intervenientes do evento.

Através do 1º, o patrocínio ao evento, o anunciante obtém o estatuto de “marca oficial” em 3 categorias: patrocinador, parceiro ou fornecedor. Mas o mais importante a reter, é que este tipo de negócio é muito flexível, ou seja as contrapartidas devem ser ajustadas aos interesses dos patrocinadores. Promotor e anunciante devem pensar em conjunto, constituindo-se como uma equipe que irá analisar cada pormenor e escolher as melhores opções. Portanto, investir em trabalho de equipa todo o tempo na análise da proposta, para realmente ponderar o seu interesse e sobretudo de que forma lhe interessa, porque o mais importante, são os pormenores e a atenção que dedicamos a quem connosco trabalha. Antigamente, promover um evento era muito simples, dávamos umas lonas e já estava, hoje a realidade é mais complexa e o trendymarketing também. É preciso dar vida à marca e activa-la. Activar a relação do target com a marca é fundamental. A criatividade como forma de ultrapassar limitações financeiras Obviamente que além de todos os pontos aqui referidos, há um que se sobrepões a todos. O orçamento disponível e muitas vezes a vontade de fazer, sobrepõe-se a toda a racionalidade e é precisamente aqui que muitas vezes tropeçamos. Mas muitas vezes é necessário tropeçar e ter coragem de avançar, o revelante são as ideias, a dedicação e o foco na implementação das mesmas. É fácil ter ideias para orçamentos de milhares de euros, o difícil é ter grandes ideias para sem orçamentos, aí somos levado muitas vezes a ter de fazer as coisas com o chamado “pelo do cão” e não é para o estômago de todos. Mas, em grande ou em pequeno, o importante é ser criativo, ter ideias, coragem de arriscar e conhecer o mercado.

1) Briefing foi analisado? Check! 2) Ideia concebida? Check! 3) Acção bem montada? Check! 4) Espectáculo está pronto a avançar? Check! Aproveitem o espectáculo e celebrem sempre a vida!

Sérgio Vieira de Nóbrega