O Marítimo-Arouca foi um daqueles jogos absolutamente ingratos para a turma verde-rubra, onde tudo o que podia correr mal acabou por correr. Mas, no somatório final, apenas tem o Marítimo de se queixar de si próprio por não ter alcançado, pelo menos, um dos três pontos em disputa. Repetindo o mesmo onze da jornada anterior, que boa conta deu de si frente ao Vitória de Guimarães, os insulares tentaram entrar mais fortes no jogo mas a boa réplica inicial do Arouca como que surpreendeu os jogadores do Marítimo que, quando deram por si, já perdiam por duas bolas. Dois lances de bola parada, um canto e um penálti duvidoso, em pouco menos de 15 minutos, viraram o jogo ao contrário e estenderam a passadeira vermelha à equipa de Lito Vidigal para a conquista dos três pontos. Mas, justiça seja feita, as razões que justificam o quinto lugar do Arouca só duraram precisamente esse quarto de hora.

Não que não tenham tido mais oportunidades para dilatar o marcador e matar o jogo logo ali, mas a partir do segundo golo o Marítimo tomou conta do jogo.

Vingada não esperou muito e ainda na primeira parte tirou Alex Soares e Bessa, lançando no jogo Dyego e Ghazaryan, tornando a equipa ainda mais ofensiva e em busca incessante pelo golo. É verdade que nem sempre o fizeram da melhor forma – e muitos foram os erros individuais no terço final do campo, com maus cruzamentos ou más decisões no momento de rematar à baliza – mas as oportunidades de golo foram-se acumulando, porém ora esbarrando em Bracali ou num defesa arouquense, ora disparada para fora. O golo do Dyego chegou tarde demais, num momento em que mandava mais o coração que a cabeça, aproximando os números mas com o mesmo resultado prático, zero pontos.

Perante os resultados da jornada, tivéssemos alcançado a vitória, a equipa conseguiria dar um pulo na tabela e aproximar-se da primeira metade, ficando num lugar mais consentâneo com a sua valia e os pergaminhos do Marítimo.

Assim mantém-se no 12º lugar com os mesmos 35 pontos, menos 3 que na temporada passada por esta altura, completamente arredado de qualquer objectivo final que não seja a preparação da final da Taça da Liga e, naturalmente, da próxima temporada. A próxima jornada é de loucos: está tudo por decidir, do título à manutenção, e muitas destas decisões passam pelas equipas da Madeira. A não perder.

Ainda a propósito da marcação adiada para a final desta competição, repito o repto lançado em forma de ironia pelo Presidente Carlos Pereira: qualquer data serve desde que seja na Madeira. E porque não? Se já organizamos tantas competições em diversas modalidades cá na Região, tenho a certeza que saberíamos organizar uma final desta natureza. Não somos em nada inferiores a Coimbra, Leiria ou o Algarve e sabemos receber como ninguém. Problema resolvido, venham à Madeira.

Nota final para a excelente ponta final da equipa B verde-rubra. São vitórias atrás de vitórias, com Fábio Abreu de pé quente. Pena que a equipa tenha arrancado tarde. Mas esta boa ponta final tem permitido perceber que, mais uma vez, há ali boa matéria a promover à equipa principal.

Luís Miguel Rosa