Há cinco anos atrás, Freitas do Amaral, fundador do CDS, candidato de direita a Presidente da República contra Soares (que teve o meu voto por orientação de Cunhal), afirmou na RTP que a solução é acabar com os paraísos fiscais e off-shores, para acabar com a especulação dos fundos sem rosto. Para um investidor nada é mais importante que a segurança, altos rendimentos e baixos impostos para o seu dinheiro. Para os Estados e povos quanto mais dinheiro for para os paraísos fiscais, menos dinheiro fica para as funções sociais do estado, como a saúde , Educação etc.. O cidadão normal que vive do seu trabalho, o pequeno e médio empresário, tem, o seu calvário fiscal. O seu rendimento vai para o inferno da carga fiscal. Começa no IRS, quando verifica o que já descontou e vai ainda pagar a mais….passa pelo IRC que afunila a caixa das pequenas empresas…rebenta com o IVA na comida, nos transportes….com o IMI sobre a sua casa cujo valor é galopante! Associam-se aos impostos as diversas taxas : de conservação de esgotos , de segurança municipal, do áudio visual…aquelas coisas que nos tramam todos os meses! Se o pecador, se atrasa por um dia no imposto de circulação terá de pagar multa de cinquenta euros, pelo menos mais setenta euros de custas processuais ou seja 20% do salário mínimo….e não há anjo que o safe. Será que o «deus fiscal» está nos paraísos fiscais e o «diabo» dos impostos na canga dos povos? Sabemos que a Suiça , as Ilhas Cayman, o Luxemburgo, Hong Kong, EUA (Delawere), Singapura, Ilha de Jersey, Japão, Alemanha e Bahrein, são por esta ordem os paraísos fiscais protegidos segundo a Tax Justice Network. Aqui, na Europa, o Luxemburgo é o líder dos paraísos fiscais onde estão num minúsculo rincão de terra 141 bancos de 26 países. Nos paraísos fiscais estão 19 das nossas empresas do PSI/20 e até grandes empresas com perdões fiscais e isenções fiscais, têm os seus negócios no «bordel » dos off-shores. Cá para mim, não conhecendo o representante do «deus fisco» na terra dos capitais, sei que a bula fiscal é um facto, e que se chama perdão fiscal, bom para muito poucos dos mortais.
Dirio Ramos