Emanuel Caires A Farmácia do Hospital Dr. Nélio Mendonça ficou sem medicação desde a semana passada até ao dia 21. Fiquei sem a medicação que permite que a minha carga viral de VIH continue indetectável e que eu continue saudável. Desta vez foram dois dias. Para a próxima podem ser mais. Tenho VIH há mais de quatro anos e já tive que interromper o tratamento por três ou quatro vezes, algumas vezes durante 5 dias, o que me permite concluir isto é cíclico e regular para quem tem VIH. Justificam-se com ruturas de stock, mas por vezes até negam a situação. Esta negação de acesso aos medicamentos viola direitos fundamentais, tais como o Artigo 25.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos que assegura o direito à saúde. Também não está a ser cumprido o Despacho n.º 13447-B/2015 do Ministério da Saúde, que refere que os hospitais devem dispensar os medicamentos para um período mínimo de 90 dias. Algo que nunca aconteceu. Em jogo está também a palavra do Secretário Regional da Saúde, João Faria Nunes, que no passado mês de fevereiro disse que esta era uma situação que não voltaria a acontecer enquanto fosse secretário. Pelos vistos repetiu-se. E ao contrário do que disse à Lusa, os riscos da interrupção do tratamento são verdadeiros, não são questões “demagógicas” e não se sabe, realmente, se a vida das pessoas está ou foi posta em risco. Esta interrupção dos tratamentos é uma janela aberta para o aumento da carga viral, possibilitando o aparecimento de infeções e doenças oportunistas. É internacionalmente reconhecido que o constante recomeço da terapia provoca resistência às medicações e efeitos secundários e psicológicos. Se o Secretário acha que isto não é pôr vidas em risco, convido-o a repensar o seu cargo. Esta situação foi herdada mas não pode continuar. É necessário redefinir prioridades e centrá-las também na saúde da população, não em injecções de milhões em sociedades falidas. A saúde dos madeirenses não é brincadeira! Basta! Os serviços de saúde têm que corresponder às necessidades da população, o Hospital precisa dos recursos humanos e materiais necessários e basta de ruturas de stock! Esta situação tem de ser regularizada o quanto antes, não pode estar constantemente a repetir-se. O Governo Regional tem de definir a Saúde como prioridade!