Falar sobre estes jogos é extremamente fácil. O Sporting foi melhor e a atribuição dos três pontos ao nosso rival não oferece qualquer contestação. Claro que os números até podiam ser mais favoráveis às nossas cores, pesando as oportunidades desperdiçadas de parte a parte, principalmente na primeira metade, mas se o triunfo do Sporting acabou por ser claro, a postura do Marítimo também nunca foi, em algum momento, demeritória. O Marítimo apresentou-se em Alvalade praticamente com a mesma equipa que defrontou o Nacional, mas reforçado na frente com mais um jogador, já que pelo menos o Djoussé conseguiu aguentar-se mais tempo em campo que o Dyego (embora reconheça-se que a qualidade também não é a mesma, verdade seja dita). Foi uma primeira parte repartida, onde curiosamente o Marítimo até acaba com mais remates à baliza que o próprio Sporting. Tivessem tido João Diogo, Edgar Costa ou Bessa a felicidade que o remate desviado de Teo Gutierrez teve, naquele longo balão para o fundo das redes de Salin, e poderíamos ter almejado algo mais na partida. Já na segunda parte os leões de Lisboa entraram com mais fome e rapidamente resolveram a partida, num quarto de hora em que os verde-rubros tiveram poucos argumentos para contrariar.

Com um golo a fechar a primeira parte e outro a abrir a segunda, o Sporting acabou por matar o jogo e colocou-se na privilegiada posição de gerir o jogo. O Marítimo ainda procurou correr atrás do prejuízo mas o máximo que conseguiu foi amenizar o resultado, com um golo de Ghazaryan (a merecer mais minutos em campo na minha opinião!), a culminar uma bela jogada colectiva, com mais uma assistência de Fransérgio (a diferença que faz em jogar uns metros mais à frente). Apesar de tudo fica a sensação que poderíamos ter feito algo mais, fossemos mais assertivos no momento do passe e no momento da finalização.

De facto esta característica da qualidade do passe tem sido pecha muito grande no conjunto insular. Regra geral o Marítimo é uma equipa que erra muito na sua construção, muitas vezes com passes transviados sem grande ou mesmo sem oposição. O passe no futebol moderno é um aspecto do jogo cada vez mais importante, cujo expoente máximo é, como sabemos, o tiki-taka do Barcelona de Guardiola, e que define a linha que separa as grandes equipas das equipas medianas, os grandes jogadores dos jogadores medianos. O acerto no passe, sobretudo em equipas de recuperação de bola e transição rápida como o Marítimo, assume ainda maior importância já que permite que a equipa se aproxime mais rapidamente da área adversária com a bola controlada e em posição de fazer golos. A rever (ou a treinar mais).

Por fim uma palavra sobre os incidentes da semana no treino do Marítimo. Primeiro esclarecer que condeno qualquer acto de violência, especialmente provinda de quem, pelo seu reconhecimento social, tem obrigação de ser exemplo aos mais novos. Renovo as palavras que deixei ao Dyego na semana passada sobre esta matéria. Mas ao mesmo tempo não posso deixar de criticar (ou pelo menos de ficar desconfortável) pela forma como o meu clube lidou com esta situação. Ao invés de remeter o assunto apenas e exclusivamente para os órgãos competentes da instituição, permitindo aos jogadores a sua defesa condigna em local próprio, optou-se (intencionalmente?) por ser o próprio clube, através do seu treinador, em publicamente dramatizar a situação, tornando este caso numa novela que nunca deveria ter sido. Já não basta o rótulo que a equipa tem apanhado ao longo da temporada, ainda é o próprio clube a lançar mais lenha à fogueira. Um verdadeiro tiro no pé!

Luís Miguel Rosa