Sandro Sousa Primeiramente, há que explicar que existe uma clara diferença semântica entre “clube único” e “único clube”.

Por partes: “clube único” seria, por exemplo, a extinção dos três maiores emblemas da Região, fazendo uma fusão dos três num projecto desportivo regional. Ou, por outro lado, a extinção de dois clubes dando relevância ao clube com maior historial e massa adepta - neste caso, o Club Sport Marítimo.

No entanto, como vivemos num país democrático, e como sabemos da importância que tem a liberdade de escolha, inclusive a liberdade desportiva, o Club Sport Marítimo, embora seja o clube com maior representatividade nacional e internacional, maior massa adepta, maior historial e o único clube regional do qual, no seu palmarés, consta um Campeonato Nacional de Portugal, não pretende, penso eu, e depreendo isso das palavras do seu/meu presidente que nenhum clube - reforço, nenhum! - seja extinto no panorama desportivo madeirense.

Não obstante a tudo isto, a Madeira tem já um exemplo de sucesso desportivo nacional e internacional. Um sucesso que por tempos afrouxou mas que, graças ao seu presidente, pretende voltar a colocar a marca Madeira de novo “nas bocas do mundo”. Falo, claro está, do projecto desportivo resultante da Sociedade Desportiva entre o Académico Clube do Funchal e o Club Sport Marítimo, do qual resultou o projecto A. M. Madeira Andebol SAD. Foi um projecto que ao longo de 10 anos consecutivos venceu o campeonato máximo de Portugal. Isto na vertente feminina. Na masculina, pode a Madeira orgulhar-se de ter sido campeã uma vez.

Em vez de se andarem a canalizar vários dinheiros públicos através de contrato-programa, e em vez de se andarem à procura de diferentes investimentos privados e em rentabilizar diferentes parcerias entre privados e clubes, soma-se tudo num só e canalizam-se todos os dinheiros em prol de um propósito.

Ora, com o futebol, a ideia lançada pelo presidente do club Sport Marítimo é exactamente a mesma, considero eu.

O que muitos iluminados da nossa sociedade desportiva, intelectual e argumentativa não sabem - ou não querem que se saiba - é que em 1999, Marítimo, Nacional e União, conjuntamente com o Governo Regional da Madeira, tinham chegado a um acordo. E esse acordo firmou-se na criação de uma sociedade que tinha por objectivo a promoção do desporto regional.

Estava assim constituída a PRODESMAD, sociedade que visava conjuntamente a exploração de áreas nas quais os três clubes teriam interesses comuns. O acordo, que à data tinha sido aprovado pelo Governo Regional e publicado no Jornal Oficial da Região Autónoma da Madeira (JORAM), firmava as percentagens de distribuição dos possíveis ganhos, respeitando a proporção dos clubes: 60% para o Marítimo, 20% para o Nacional e 20% para o União. Uma sociedade que começou por desfazer-se porque Nacional e União não concordaram com a perspectiva de distribuição de receitas inicialmente delineada para esta sociedade que, até ora, se mantém constituída.

Primeiro foi o União, que detinha os direitos de exploração publicitária do Estádio dos Barreiros. Não querendo distribuir os ganhos de forma proporcional, o Marítimo opôs-se a esta situação desproporcional, levando os clubes a desentenderem-se.

Ainda à procura de uma solução, no ano de 2000, o Marítimo apresentava um projecto de remodelação do Estádio dos Barreiros, um pouco à imagem do actual projecto que sustenta o Estádio do Marítimo. Esta era a parte comercial da PRODESMAD, que mais tarde viria a servir os três clubes, com as receitas a serem divididas na mesma proporção: 60% para o Marítimo, 20% para o Nacional e 20% para o União. Nacional e União mostram-se em profundo desacordo com a proposta do Marítimo e decidem então abandonar os Barreiros.

É nessa altura que se cria um verdadeiro elefante branco, no Vale Paraíso, na Camacha, com a construção do Complexo Desportivo do União da Madeira.

Complexo que todos nós bem sabemos do valor que tem tido para o erário público e da utilidade que tem tido nos jogos da Liga.

O Nacional, embora contra recomendações de um dos vereadores do ambiente da Câmara Municipal do Funchal, decide firmar-se na Choupana e construir o seu complexo.

Como tal, o Marítimo ficou sozinho nos Barreiros.