Depois de um tempo de quase euforia, o Brasil voltou á fase recessiva que tem constituído o seu registo mais constante durante estes anos atribulados. Com a agravante de agora a crise económica não constituir a única preocupação. Na verdade, com altos e baixos a economia de há muito que não merece a confiança dos brasileiros bem como dos restantes parceiros com quem o Brasil se relaciona, designadamente no Mercosul. Os tempos de euforia já vão longe, e o que resta agora é um país deprimido a contas com problemas congénitos para os quais não parece surgir solução á vista. Com a agravante de agora a situação politica estar a condicionar e muito o económico. É que no presente, para além dos problemas eternos com que o Brasil se confronta e que nunca conseguiu resolver sendo duvidoso que alguma vez os consiga resolver, acresce uma crise politica que essa é de agora encontrando-se os seus responsáveis bem identificados. E se esta condiciona aquela, não se alcança como poderá a nação brasileira sair dela por forma a evitar um grande rombo no porta-aviões! Tem tempo que o receio de que a chamada operação lava-jacto possa inquinar parte relevante da sociedade brasileira, receios esses que estes tempos mais próximos estão a confirmar. As investigações desenvolvidas e que ainda se não encontram concluídas chegaram entretanto á Presidência da República, tendo sido já pedida a prisão de Lula da Silva, o grande suporte da Presidente Dilma Roussef. Mas o mais grave aconteceu agora: Dilma, na tentativa de proteger Lula e de lhe procurar garantir imunidade, puxou-o para a Presidência da República, entronizando-o num cargo criado “ex-novo” para ele. Esta estratégia pode ser vista sob dois ângulos: se por um lado não é garantido que assegure a Lula a protecção desejada, por outro transforma o Brasil, mais do que já o era, numa república das bananas. A partir daqui Dilma e Lula estão por sua própria conta depois de o próprio Fernando Henrique Cardoso ter censurado a escolha que fizeram. Depois deste episódio, mais do que Dilma e Lula é o próprio Brasil que passa a estar sob o escrutínio da comunidade internacional. Afinal, que país é este que a fim de garantir imunidade e de eximir de responsabilidades um seu cidadão ainda que ilustre, lhe assegura imunidade a cobro de uma gritante trapacice? O Brasil deste tempo merecia seguramente melhor. O Brasil, para ser respeitado pelos seus pares e pela comunidade internacional, deve ter uma conduta de pessoa de bem que é o que este gesto de Dilma não indicia. De resto, acredita-se que esta estratégia tenha sido tudo menos inteligente, porquanto é bem possível que quem se encontra a dirigir a investigação não recue perante as dificuldades decorrentes desta habilidade a roçar o saloio. Mas mesmo que assim não fosse, um outro aspecto avulta: o de que no domínio em que nos situamos não pode valer tudo. Lula da Silva será certamente credor da gratidão de Dilma. Mas a imagem interna e externa do Brasil deverá sempre sobrepor-se a tal. O Brasil só será respeitado pela comunidade internacional se agenciar o seu respeito. E não será seguramente com comportamentos como este que ganhará a consideração dos seus pares!

Carlos Sequeira