Estudos recentes comprovam que os filhos de pais com uma baixa escolaridade raramente conseguem atingir bons resultados académicos, porque a sociedade é como um ciclo vicioso em que a história familiar acaba por se repetir ao longo dos tempos. Com exceção dos melhores, os alunos portugueses usufruem de poucos incentivos para poderem investir quer no tempo, quer em termos de esforço no sentido de aumentar o seu nível de literacia. Segundo os resultados definidos nos censos de 2011 em Portugal são quase um milhão de portugueses que não sabem ler nem escrever. Naturalmente que houve uma melhoria significativa ao longo dos tempos, principalmente a partir da década de sessenta do século passado em que todos os portugueses começaram a aprender a ler e a escrever entre os sete e os nove anos. No entanto, comparando com outros países europeus, existe um grande atraso, apesar do analfabetismo ter diminuído dezassete por cento nos últimos trinta anos. Mas, são ainda as mulheres as que mais sofrem e que infelizmente contribuem para a maior taxa de analfabetismo em todo o mundo. A nível geográfico são as zonas distantes das grandes centralidades as mais penalizadas. As regiões do país que apresentam um maior número de pessoas sem saber ler e escrever são o Alentejo seguido da Região Autónoma da Madeira. Nos países nórdicos é um escândalo quando se encontra uma pessoa analfabeta. Em Portugal tenta-se esconder essa triste realidade por forma a não haver leituras políticas incómodas de quem da política, muitas vezes, faz desta o seu percurso económico/empresarial. Ao invés, cada vez mais se assiste a uma maior desconfiança dos encarregados de educação à cerca do empenho do professor quando, pelo contrário, deveria existir uma crescente dignificação da carreira docente quer através de uma melhor renumeração, quer de campanhas de sensibilização para a valorização do ensino em Portugal. Sabiam que: - No Japão, o único profissional que não precisa se curvar diante do imperador é o Professor?. “segundo os Japoneses, numa terra onde não há professores não pode haver imperadores” Malala esteve quase à beira da morte por defender os direitos humanos das mulheres e o acesso à educação ao contrário do no nosso país onde se verifica uma crescente taxa de abandono escolar dos nossos jovens. Recentemente foi notícia um novo estudo internacional realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que refere que os adolescentes portugueses são os que menos gostam da escola. É de verificar que, nestes últimos anos, a escola portuguesa é muito pouco amada e os próprios alunos consideram as aulas aborrecidas e poucos atrativas. A escola parou no tempo porque mudou pouco e não teve uma boa gestão política no que concerne ao investimento no ensino através das novas tecnologias pois estas são o espelho da nova geração dos nossos estudantes. Quando devíamos valorizar e dignificar a educação e a cultura opta-se por adiar estes problemas tornando cada vez mais o nosso país empobrecido naquela que é a pior das pobrezas. É urgente em Portugal repensar e investir mais na educação. A Noruega é atualmente um dos países mais desenvolvidos do mundo, segundo o índice de desenvolvimento humano divulgado pela ONU, porque se deve às suas políticas educativas. Há cem anos atrás, este país era um dos mais pobres da Europa, periférico e gelado. Não foi por acaso que o seu investimento anual na educação fosse de sete vírgula três por cento do seu PIB (produto interno bruto). Portugal ainda não descobriu o seu petróleo como a Noruega, mas acredito que o meu país também tem os seus atributos só que, infelizmente, estes encontram-se muito mal aproveitados e a melhor forma de combater a pobreza será, com certeza, uma maior aposta e investimento na educação.

Patrícia Sumares [email protected]