O tema do “clube único” foi novamente desenterrado, agora pelo presidente do Marítimo. Como quase tudo na vida, há momentos em que se deve avançar, ir em frente, sem medo e, outros, em que é melhor estar calado. Neste caso, Carlos Pereira ganhava mais de boca fechada. Como todos nós sabemos, o projecto do clube único foi um cavalo de batalha de Alberto João Jardim e que lhe mereceu uma enorme vaia no estádio dos Barreiros em 15 de Maio de 1977 obrigando o então presidente do governo, a abandonar tal ideia peregrina, para a maioria dos adeptos do Marítimo. Um momento histórico para os anti clube único! Foi há quase 19 anos. Mas foi também um momento que se perdeu na história. Um momento para quem defendia tal projecto, avançar sem medo, mas a onda de ira que se viveu naquela data nos Barreiros, fez tremer o arquitecto da ideia e tudo ficou em “águas de bacalhau”. Carlos Pereira dá o exemplo da força desportiva do Braga e do Guimarães para defender “um clube, uma cidade e uma região”. Esqueceu-se certamente que Braga e Guimarães pertencem ao mesmo distrito, Braga, e que conta com uma terceira equipa na I liga, o Moreirense, da freguesia de Moreira de Cónegos, concelho de Guimarães! Por aqui cai o argumento do presidente verde-rubro! Mas cai também quando tomámos por exemplo os casos de Gran Canária e Tenerife. Nestas Regiões, ensaiou-se um projecto de clube único que ainda sobrevive, mas com pouca projecção ao nível da I liga Espanhola. O Las Palmas só lá agora chegou e anda aflito no fundo da tabela. O Tenerife há muito que anda arredado do escalão máximo do futebol Espanhol! Acho que a questão de fundo tem de ser colocada de outra forma. Tem a Madeira capacidade financeira para subsidiar três equipas na I Liga? Claro que não, embora o retorno fiscal, seja superior ao que é investido. Mas para que não restem dúvidas, Marítimo, Nacional e União, vão ter de arranjar uma alternativa aos apoios públicos que recebem! Aí sim, quem tiver “unhas, vai certamente, tocar guitarra”! Desta forma, a selecção seria natural e só ficaria na I liga o clube ou clubes com orçamentos disponíveis sem bengalas públicas. Se o Marítimo quer ser o único representante da Madeira na I liga como manifesta o desejo de Carlos Pereira, então que lute desportivamente e financeiramente por isso! Entregar essa representatividade de mão beijada através de uma decisão política configura-me uma espécie de assalto! Já aqui defendi e volto a repetir, no âmbito da promoção da Região, os três clubes da I liga deveriam estar encaixados na sociedade de promoção da Madeira e como moeda de troca, terem garantida apenas, a manutenção das suas infraestruturas desportivas. Resumindo, depois de tanta trapalhada, tanto dinheiro aplicado em estádios, tanta soberba da parte de alguns dirigentes ao longo dos anos, tanto desperdício de argumentação para justificar as subidas de divisão, vir agora Carlos Pereira defender o “clube único”, só dá vontade de rir…ou de chorar!
Mário Gouveia Jornalista