Confundir firmeza com obstinação é um erro clássico na política. No último congresso nacional, o CDS-PP mostrou que não o comete, ao contrário do PSD, o seu antigo parceiro de coligação. A aliança parlamentar que levou António Costa ao Governo mudou, dentro das regras, as regras do jogo político em Portugal. Abriu um tempo novo, do qual não há retrocesso. O CDS-PP percebeu. O PSD não. O CDS não traz a suposta “ilegitimidade” do Executivo para o centro do discurso. O PSD alicerça a sua praxis política nessa opinião. O CDS-PP renovou os seus quadros dirigentes. Assunção Cristas trouxe um discurso mais afectuoso, mais próximo das pessoas, mais abrangente. Entraram para a vice presidência da Comissão Política Nacional personalidades que, por um lado, refletem as diferentes correntes de pensamento no seio do partido e que por outro, são exemplos enquanto profissionais e servidores da causa publica. O PSD manterá Pedro Passos Coelho na presidência sendo que, previsivelmente, a conspiração será urdida nas suas costas. Na Assembleia da República, o CDS-PP debateu o Orçamento de Estado.

Apresentou propostas e decidiu-se pelo voto contra, justificando a sua decisão. O PSD sentou-se a um canto. Na sua relação com as autonomias e com a estrutura regional, o CDS-PP promoveu diversos militantes para os órgãos nacionais. O Presidente do CDS-PP Madeira, António Lopes da Fonseca, faz parte da Comissão Executiva. O líder parlamentar na Assembleia Legislativa da Madeira (ALM), Rui Barreto, é membro da Comissão Política Nacional. O vice presidente da bancada na ALM, Mário Pereira, assumiu um prestigiante quinto lugar na lista apresentada por Assunção Cristas ao Conselho Nacional, órgão para o qual o CDS-PP Madeira tem direito a indicar mais cinco nomes e no qual têm inerência os deputados regionais. Teófilo Cunha, Presidente da Câmara Municipal de Santana, assumiu a vice-presidência da Mesa do Congresso. Paralelamente, que faz o PSD? Destrata os seus deputados eleitos pela Região para a Assembleia da República, votando contra as propostas por eles apresentadas. É fácil perceber que o CDS já está num tempo novo e que o PSD está cada vez mais remetido a um reduto de obstinação.

No meio do caos e da trapalhada que lançou e em que lançará o país, António Costa fez uma coisa bem feita, ou seja, acabou com o mito do voto útil. Isso é válido quer para o parlamento nacional, quer para os parlamentos regionais e hoje, na Madeira, nos Açores e no continente, os eleitores que se revêm nas ideias do CDS-PP podem votar no seu partido, libertos que estão de inúteis amarras. É para isso que o CDS-PP deve trabalhar, ou seja, para ser a primeira força política, contando com uma força renovada, quer no continente, quer na Região. Nota: O Congresso Nacional do CDS-PP revelou um partido maduro, no qual a palavra unidade não é substituída pela palavra unanimismo e no qual as diferenças de opinião são dirimidas internamente e não em espaços públicos, reais ou virtuais. Um bom exemplo. Que seja contagiante.

Gonçalo Santos