José Manuel Cabral Fernandes Recordando Angelo Paulos ocorreu-me invocar o texto bíblico do Antigo Testamento (Gênesis. 18, 16-32) que sucintamente narra a seguinte negociação entre Abraão e o Senhor seu Deus.

Deus referiu a Abraão que o clamor de Sodoma era imenso e que o seu Pecado agravava-se extremamente, propondo-se aniquilar a Cidade ao que Abraão retorquiu se seria possível exterminar ao mesmo tempo, osjustos com os culpados?

A partir daqui iniciaram-se negociações, dizendo Deus que se encontrasse 50 justos, perdoaria a Cidade.

Esse número foi sendo reduzido para 45, 30, 20 por insistência de Abraão até que por fim, com receio de irritar e abusar da paciência do seu Senhor, fez, temeroso uma última insistência para 10 justos, ao que o seu Senhor concordou, dizendo “em atenção a esses dez justos, não destruirei a Cidade’’.

Esta narrativa revela duas ideias; a primeira, a fome de justiça imanente na humanidade protagonizada pela intercedência corajosa de Abraão e a segunda, a justiça de Deus e a sua vontade de perdoar (sabendo de antemão da existência de 10 justos na Cidade).

Mas uma terceira ideia pode ser extraída desse diálogo que decorre da seguinte pergunta. Porque se utilizou o termo ‘”justo’’ e não outro? Seguramente porque o qualitativo de “justo’’ aglutina ou concentra em si todas as boas qualidades que se pode encontrar num Homem.

E era aqui que queria chegar ao recordar o Angelo Paulos, dispensando-me de enumerar as suas sãs qualidades e características, pois ele foi verdadeiramente em vida um ‘justo’ e porque crente em Deus. sem vacilações, encontrou finalmente o seu lugar “justo’’ junto de outros ‘justos” ressuscitados.