Ficamos tragicamente sem o Sr. Feliz. Sobram-nos os senhores descontentes. Eu ainda sou do tempo em que o descontentamento era coisa do povo. Os eleitos, esses, andavam de bem com a vida e sem aparentes razões de queixa.

Hoje começa a ser frequente ver o desagrado dos que mandam. E isso leva ao afastamento (não só no sentido figurado como no literal). Não tem muito tempo que o presidente do Governo Regional teceu duras críticas ao Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira acusando os que o dirigem de estarem «a dormir na forma» (não sei se fazia parte da terapia de antigamente, mas se olhar à volta vai ver mais uns quantos a pescar bodiões), prometendo até «mudar». «Vai ser um sector que vai ter mudanças e, se não houver mudanças, vamos fazer as substituições das pessoas para que as mudanças ocorram», concluiu em tom de promessa ameaçadora. Pessoalmente, não acho que esta “exigência” seja contraproducente. Antes pelo contrário! Fará com que as pessoas entendam que para desempenhar determinados cargos é preciso “mostrar serviço” e que o lugar não está eternamente garantido. Mas há, estou certo, outras formas de o demonstrar sem “enxovalhar” ou “amarrotar” com as pessoas nas suas costas.

Mais recentemente, soube-se da exoneração da Adjunta do Gabinete do Secretário Regional da Saúde. Confiando no publicado no Jornal Oficial da Região, terá sido a pedido da exonerada. Mas nesta saúde doente já não foi a primeira “maleita”. A Inspetora da Saúde também já foi afastada «a seu pedido». Hummm. Estes abandonos “por iniciativa própria” deixam-me sempre com um pé atrás! Das duas uma… Ou não estão para se sujeitar a tudo e mais alguma coisa e decidem verdadeiramente por sua livre vontade desocupar o cargo que ocupam (o que é perigoso pois corremos o risco de serem tomados de assalto por gente menos capaz mas “disponível”), ou estão a ser incómodos e são convidados a sair “de fininho”. Neste último caso também não deve ser excluída a hipótese dos então “dispensados” não estarem realmente a corresponder às expectativas, o que é legítimo e motivo de sobra para se verificar a substituição.

Como não conheço nenhuma das intervenientes, continuo a querer confiar que tudo se resolveu a bem e o(s) executivo(s) se regem, apenas e só, pelos superiores interesses da região que representam. Afinal é isso que se pede!

Mas mais que pedir, há também que reconhecer (sim, porque nem tudo está mal)… Notável o empenho e desempenho do responsável pela Associação de Promoção da Madeira e sua equipa. A recente Feira Internacional de Turismo (BTL 2016) foi um tremendo sucesso a avaliar pelas inúmeras opiniões trazidas a público. Apelo apenas ao Roberto Santa Clara que não tenha a tentação de “pedir para sair”. Acredito que o fruto do trabalho que está a ser feito em torno do nome Madeira será visível a curto prazo e nos aproximaremos do mundo, por mais que cá dentro se insista em nos afastarmos (que praga… lá estou eu com esta palavra nos dedos). Sem mais de momento, afasto-me (aiiii) por minha livre e espontânea vontade. Em abril estou de volta! Sem revolução.

Pedro Nunes